STF: Dias Toffoli deixa relatoria do Caso Master após reunião de ministros
Toffoli deixa relatoria do Caso Master após reunião no STF

Supremo Tribunal Federal altera relatoria do Caso Master após intenso dia de debates

O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu um dia de intensa movimentação nesta quinta-feira (12), culminando com a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do Caso Master. A decisão, tomada por unanimidade pelos dez ministros da Corte, foi anunciada através de nota oficial divulgada na noite do mesmo dia, marcando um novo capítulo na investigação sobre o Banco Master.

Reunião presidida por Fachin discute relatório da Polícia Federal

O ponto de partida para as discussões foi o relatório encaminhado pela Polícia Federal ao presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, na segunda-feira (9). O documento, resultante da análise de celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, continha mensagens que citavam o nome do ministro Dias Toffoli.

As conversas incluíam referências ao resort Tayayá, propriedade da família de Toffoli no Paraná, e mencionavam transações envolvendo a empresa Maridt, da qual o ministro é sócio. Em 2021, dois irmãos de Toffoli venderam parte das cotas do resort através da Maridt por mais de R$ 3 milhões para o Fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora ligada ao Banco Master.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Presidente Fachin convocou reunião extraordinária com todos os ministros para discutir o conteúdo do relatório e a possível suspeição de Toffoli na condução do caso.

Defesa de Toffoli e pedido de redistribuição

Durante a reunião, realizada a portas fechadas no gabinete da presidência do STF, o ministro Dias Toffoli apresentou sua defesa. Em nota divulgada anteriormente, seu gabinete afirmou que:

  • A Maridt é empresa familiar regularmente constituída e declarada à Receita Federal
  • Toffoli integra o quadro societário, mas não exerce funções administrativas
  • Todas as vendas de cotas foram realizadas dentro do valor de mercado
  • O ministro desconhece o gestor do Fundo Arleen e nega qualquer relação com Daniel Vorcaro
  • Nunca recebeu valores de Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel

"Vários magistrados são fazendeiros. Vários magistrados são donos de empresas. E eles, não exercendo a administração, eles têm todo o direito de receber os seus dividendos", argumentou Toffoli em sessão do Supremo na semana anterior, sem mencionar seu vínculo com a Maridt.

Decisão unânime e mudança na relatoria

Após horas de discussão, os ministros chegaram a uma decisão consensual. A nota oficial do STF estabelece que:

  1. Os ministros reconhecem a validade dos atos praticados por Toffoli na relatoria
  2. Expressam apoio pessoal ao ministro e respeitam sua dignidade
  3. Consideram inexistente suspeição ou impedimento
  4. Registram que Toffoli atendeu a todos os pedidos da PF e PGR
  5. Acataram pedido do próprio Toffoli para redistribuição dos processos

A presidência do STF ficou encarregada de promover a livre redistribuição dos autos para um novo relator, cujo sorteio seria realizado ainda na mesma noite.

Repercussão política e institucional

O caso gerou reações além dos limites do Supremo. A ONG Transparência Internacional emitiu nota recomendando o afastamento e investigação de Toffoli, enquanto o senador Alessandro Vieira (MDB) acionou a Procuradoria-Geral da República para apresentar pedido formal de suspeição.

A defesa de Daniel Vorcaro manifestou preocupação com o que chamou de "vazamento seletivo de informações", argumentando que a prática prejudica o direito de defesa e favorece narrativas equivocadas.

Desde dezembro de 2025, o Caso Master tramita em sigilo no STF por determinação de Toffoli. Em janeiro, o ministro determinou que todo material apreendido pela PF fosse lacrado e enviado ao Supremo, medida considerada incomum, posteriormente modificada para permitir análise conjunta da PGR e PF.

Nesta quinta-feira, em uma de suas últimas decisões como relator, Toffoli determinou que todos os dados dos celulares apreendidos fossem enviados ao seu gabinete, aumentando ainda mais as críticas sobre sua atuação no caso.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar