STJ instaura sindicância contra ministro Marco Buzzi por acusação de importunação sexual
STJ abre sindicância contra ministro por acusação de assédio

STJ instaura sindicância para apurar acusações contra ministro Marco Buzzi

Os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram, na noite desta quarta-feira (4), por unanimidade, instaurar uma sindicância para investigar a conduta do ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, de 68 anos. A medida foi tomada após Buzzi ser acusado de importunação sexual por uma jovem de 18 anos, fato que ele nega veementemente.

Comissão especial é formada para conduzir as apurações

Durante a mesma sessão extraordinária, o STJ sorteou os ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antônio Carlos Ferreira para compor a comissão responsável por apurar o caso. A decisão ocorre após a revelação do caso pelo site da revista Veja na manhã desta quarta-feira, com confirmação posterior pelo g1 e pela TV Globo.

As investigações estão sendo conduzidas sob sigilo absoluto, conforme determina a legislação brasileira para crimes de natureza sexual. Esse procedimento visa proteger a intimidade e a integridade da vítima, evitando exposição indevida e possíveis revitimizações.

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Detalhes do caso e andamento das investigações

Segundo informações apuradas pela TV Globo, a jovem relata ter sido assediada no mar no dia 9 de janeiro, durante estadia da família na casa de praia do ministro em Balneário Camboriú, Santa Catarina. A vítima, então com 18 anos, contou aos pais que percebeu a aproximação de Marco Buzzi enquanto estava na água.

De acordo com o relato, o ministro teria puxado o corpo dela para junto do seu e a agarrado pela lombar. A jovem afirma ter tentado escapar pelo menos duas vezes, mas Buzzi insistiu em forçar o contato físico. Após conseguir se soltar, ela saiu da água imediatamente e buscou ajuda dos pais.

A família da jovem confrontou a família de Marco Buzzi e deixou o local no mesmo dia. Em 14 de janeiro, acompanhada de advogados, a família registrou ocorrência na Polícia Civil de São Paulo, que investiga o caso paralelamente.

Trâmites jurídicos e posicionamentos das partes

O inquérito foi notificado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Marco Buzzi possui direito ao foro privilegiado em função de seu cargo. A Corregedoria do CNJ informou que já colheu depoimentos na manhã desta quarta-feira, incluindo os da jovem e de sua mãe.

Em nota oficial, o ministro Marco Buzzi declarou que "foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas" e repudiou "toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio". Ele afirmou ainda que as acusações não correspondem aos fatos reais.

Já a defesa da jovem emitiu comunicado informando que "neste momento o mais importante é preservar a vítima e sua família, diante do gravíssimo ato praticado". Os advogados afirmaram aguardar "rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes".

Possíveis consequências jurídicas e perfil do ministro

O caso está sendo investigado como importunação sexual, crime previsto no Código Penal com pena que varia de um a cinco anos de reclusão em caso de condenação. A sindicância instaurada pelo STJ representa um procedimento administrativo interno que pode resultar em sanções disciplinares, independentemente do processo criminal.

Marco Aurélio Gastaldi Buzzi é ministro do STJ desde setembro de 2011, nomeado para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Paulo Medina. Natural de Timbó, em Santa Catarina, possui mestrado em Ciência Jurídica e especializações em Gestão e Controle do Setor Público, Direito do Consumo e Instituições Jurídico-Políticas.

O CNJ reforçou em nota que o caso "está tramitando no âmbito da Corregedoria Nacional de Justiça, em sigilo, como determina a legislação brasileira", destacando a necessidade de preservar a vítima durante todo o processo investigativo.

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