Senado recebe mensagem presidencial que oficializa indicação de Jorge Messias ao STF
A mensagem presidencial com a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) foi recebida na tarde desta quarta-feira (1) pelo Senado Federal. A informação foi confirmada pelo gabinete do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e por interlocutores do Senado, marcando o início oficial de um processo que se arrasta há mais de quatro meses.
Documento chega após atrasos e tensões políticas
Até a última atualização, contudo, o documento ainda precisava subir para o sistema interno do Senado. Na terça-feira (31), o Palácio do Planalto havia anunciado que a mensagem seria enviada naquele dia, o que não ocorreu devido a questões burocráticas, segundo interlocutores. A chegada da mensagem destrava oficialmente a indicação, dando início a um novo e decisivo capítulo que expôs a fragilidade na articulação entre o governo federal e o comando do Senado.
Próximos passos e tensão no agendamento
Com a formalização, a indicação será agora lida em plenário e encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caberá ao presidente da comissão, atualmente o próprio Davi Alcolumbre, designar um relator e, principalmente, definir a data da sabatina — a audiência em que Messias será questionado pelos senadores. É nesse poder de agendamento que reside a principal tensão, já que não há um acordo entre o governo e o presidente do Senado sobre um cronograma.
Interlocutores de Alcolumbre sinalizam que não há intenção de acelerar o rito, que pode ser postergado para o segundo semestre. O impasse começou logo após o anúncio do nome de Messias, em novembro de 2025, que contrariou a preferência de Alcolumbre pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Histórico de atritos e articulação do indicado
A demora do governo em enviar a mensagem oficial levou o presidente do Senado a criticar publicamente o que chamou de "perplexidade" e a cancelar uma sabatina que ele mesmo havia marcado para dezembro, por falta do documento. Enquanto o governo hesitava, o próprio Jorge Messias intensificou sua articulação, reunindo-se com cerca de 70 senadores para garantir os 41 votos necessários para a aprovação em plenário.
A decisão de finalmente enviar a mensagem teria partido de um pedido do próprio indicado ao presidente Lula, confiante de que já possui o apoio necessário para ser confirmado como o novo ministro do STF. O processo agora segue para as etapas legislativas, sob o olhar atento de uma disputa política que promete continuar acirrada nos próximos meses.



