Em uma decisão tomada sem alarde e mantida em sigilo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) encerrou as investigações sobre a suposta omissão de informações pela Presidência da República envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Janja da Silva. O caso, que investigava gastos e visitas familiares ao Palácio do Planalto, foi arquivado monocraticamente pelo procurador-geral, Paulo Gonet.
O Inquérito e seu Percurso
O Ministério Público Federal (MPF) havia aberto o inquérito há aproximadamente um ano, com o objetivo de apurar indícios de sonegação de informações por parte da Presidência. O foco da investigação eram dados relacionados aos gastos do casal presidencial e também sobre as visitas dos filhos de Lula ao palácio do governo.
Em fevereiro de 2025, já se tinha conhecimento de que, por se tratar de uma investigação que envolvia o mandatário máximo do país, o processo havia sido direcionado para a assessoria criminal do gabinete do chefe da PGR, Paulo Gonet. A partir desse momento, o andamento do caso tornou-se opaco para o público.
O Arquivo Sigiloso na Virada do Ano
O desfecho ocorreu de forma discreta, por volta da virada do ano para 2026. Paulo Gonet determinou o arquivamento monocrático do inquérito, ou seja, a decisão foi tomada individualmente pelo procurador-geral, sem necessidade de deliberação colegiada.
O aspecto mais controverso da decisão é que tanto o ato de arquivamento quanto a justificativa para tal permanecem sob sigilo. Isso significa que os motivos que levaram à conclusão do caso não foram tornados públicos, impedindo o escrutínio sobre os fundamentos jurídicos da medida.
Implicações e Conclusão
O arquivamento põe um ponto final definitivo na investigação, que, segundo a apuração do Radar, estava parada no gabinete de Gonet havia meses, sem movimentações conhecidas. A falta de transparência no encerramento do processo levanta questionamentos sobre o acesso à informação em casos de alto interesse público que envolvem as mais altas esferas do poder.
Com a decisão, nada mais acontecerá em relação a este inquérito específico. O caso dos sigilos presidenciais, portanto, se encerra sem que a sociedade tenha conhecimento dos detalhes que motivaram sua abertura e, agora, seu fechamento.