A operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro neste sábado, 3 de janeiro de 2026, desencadeou uma onda imediata de reações por parte de líderes mundiais. O evento, um dos mais graves conflitos armados na América Latina em décadas, expôs profundas divisões na comunidade internacional, entre apoiadores da ação unilateral americana e defensores da solução pacífica e do direito internacional.
Divisão nas Américas: Apoio e Condenação
As primeiras respostas vindas do continente americano ilustraram o abismo político na região. O presidente da Argentina, Javier Milei, conhecido por seu alinhamento com o trumpismo, manifestou apoio de forma sucinta através das redes sociais, utilizando seu slogan de campanha: “A liberdade avança. Viva a liberdade, caralho”. A declaração, porém, não fez menção direta ao conflito armado.
Em posição diametralmente oposta, o presidente colombiano, Gustavo Petro, expressou "profunda preocupação" e rejeitou qualquer ação militar unilateral. Em comunicado oficial, o governo da Colômbia defendeu a desescalada do conflito e anunciou medidas preventivas para proteger a população civil na fronteira e atender a possíveis necessidades humanitárias. Petro dedicou horas em sua conta no X republicando vídeos dos ataques e criticando a operação.
O Chile, por meio de seu presidente de centro-esquerda Gabriel Boric, também se posicionou contra a ação. Boric afirmou que o país "condena as ações militares dos EUA" e fez um apelo veemente por uma saída pacífica para a crise venezuelana, reafirmando o compromisso chileno com os princípios do direito internacional e com o diálogo multilateral.
Posicionamento Europeu e o Silêncio do Brasil
Do outro lado do Atlântico, a União Europeia (UE) foi uma das primeiras entidades a se pronunciar. A chefe de política externa do bloco, Kaja Kallas, declarou ter conversado com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e com o embaixador da UE em Caracas. Em publicação no X, Kallas reiterou a posição de longa data do bloco: "A União Europeia afirmou repetidamente que [Nicolás] Maduro não tem legitimidade e defendeu uma transição pacífica". Ela ainda apelou para o respeito aos princípios do direito internacional e da Carta da ONU.
Outras nações europeias, como Bélgica, Holanda e Polônia, adotaram um tom mais cauteloso, informando que monitoram de perto a situação aguardando mais informações. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, seguiu linha similar, destacando a importância do respeito ao direito internacional na região.
Enquanto políticos brasileiros de diversos espectros começaram a comentar o caso, o governo federal do Brasil, sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não emitiu um posicionamento oficial. Fontes indicavam a possibilidade de uma reunião de emergência no Itamaraty para definir a postura do país diante do grave episódio.
Condenação Firme de Cuba e o Princípio da Soberania
Uma das condenações mais veementes partiu de Cuba, tradicional aliada do governo venezuelano. O chanceler Bruno Rodríguez qualificou a operação como uma "agressão militar" e classificou os bombardeios como "atos covardes contra uma nação que não agrediu os EUA, nem nenhuma outra nação". A declaração cubana reforça a visão de que a ação viola a soberania nacional, um princípio caro ao direito internacional.
O episódio da captura de Maduro coloca o mundo diante de um precedente complexo, mesclando questões de legitimidade política, intervenção externa e a sempre frágil arquitetura de segurança coletiva. As reações mostram que, muito além da Venezuela, o desfecho desta crise terá sérias implicações para a geopolítica global e para os rumos da democracia e da soberania na América Latina.