Trump propõe usar dinheiro público para reerguer petróleo venezuelano
Trump quer reembolsar petroleiras na Venezuela com verba pública

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, uma proposta ousada para revitalizar a indústria petrolífera da Venezuela. O plano envolve o uso de recursos públicos americanos para reembolsar grandes empresas de energia que se dispuserem a investir na recuperação do setor, que está em ruínas após décadas de má gestão, nacionalizações e sanções internacionais.

Um plano bilionário com dinheiro do contribuinte

Durante suas declarações, Trump foi enfático ao afirmar que a retomada da produção de petróleo no país sul-americano exigirá "uma quantidade enorme de dinheiro". A ideia é que as companhias do setor façam os investimentos iniciais, que seriam posteriormente compensados pelo governo dos EUA ou através da receita gerada pela futura produção venezuelana.

"Será necessário gastar um montante gigantesco. As empresas de petróleo vão investir, e depois serão reembolsadas por nós ou pela receita gerada", declarou o mandatário, detalhando a estratégia de Washington para o período pós-captura do ex-presidente Nicolás Maduro.

Reuniões com gigantes do setor e cautela empresarial

Alinhado com o discurso presidencial, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, deve se encontrar nos próximos dias com executivos de grandes corporações como Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips. O encontro ocorrerá durante a conferência Energy, Clean Tech & Utilities, organizada pelo Goldman Sachs em Miami.

O objetivo central das conversas é discutir formas de ampliar a produção e reativar projetos paralisados desde as nacionalizações promovidas pelo chavismo. A meta é recolocar as petroleiras americanas no país que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas cuja produção despencou de cerca de 3,5 milhões de barris por dia em 1999 para pouco mais de 1,1 milhão atualmente.

No entanto, fontes do setor ouvidas pela Reuters revelam um contraste entre o discurso político e a realidade dos negócios. Até o momento, nenhuma das três grandes empresas manteve conversas diretas com a Casa Branca sobre uma retomada imediata das operações na Venezuela após a queda de Maduro.

Desafios monumentais e incertezas jurídicas

Analistas do setor energético alertam que a reconstrução do parque petrolífero venezuelano não será tarefa simples ou rápida. O cenário atual inclui refinarias sucateadas, oleodutos corroídos, grave falta de equipamentos e uma diáspora de mão de obra especializada. Investimentos bilionários ao longo de vários anos serão necessários para superar esses entraves estruturais.

Além dos desafios físicos, persistem grandes incertezas sobre o marco legal que regerá a atuação das empresas estrangeiras. Os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro ficaram marcados pela revisão unilateral de contratos e expropriação de ativos, o que gerou uma série de disputas internacionais. ExxonMobil e ConocoPhillips, por exemplo, deixaram o país após a nacionalização de seus projetos no final dos anos 2000. Atualmente, a Chevron é a única grande empresa americana ainda operando no território venezuelano, e isso sob licenças específicas concedidas durante o período de sanções.

Apesar das incertezas, o mercado financeiro reagiu com otimismo às declarações de Trump. O índice de energia do S&P 500 atingiu na segunda-feira seu maior patamar desde março de 2025. As ações da ExxonMobil subiram 2,2%, enquanto os papéis da Chevron avançaram expressivos 5,1%.

Especialistas, contudo, aconselham cautela. A viabilidade do plano depende de uma série de fatores ainda em aberto, incluindo a estabilidade política interna da Venezuela, a postura da nova liderança em Caracas, a reação da comunidade internacional e, principalmente, a disposição do Congresso americano em autorizar reembolsos bilionários com dinheiro público para empresas privadas atuando em solo estrangeiro.