Justiça dos EUA reconhece processo de liquidação do Banco Master no Brasil
Justiça dos EUA reconhece liquidação do Banco Master

Um juiz federal dos Estados Unidos deu um passo decisivo no complexo processo de liquidação do Banco Master, com sede no Brasil. A decisão, proferida nesta quinta-feira (8), tem impacto direto sobre os ativos do banco e de seus controladores localizados em solo norte-americano.

Decisão do Tribunal de Falências da Flórida

O magistrado Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, atendeu ao pedido feito pelo liquidante do Banco Master no final do ano passado. O objetivo central da medida é proteger os ativos de Daniel Vorcaro e seus sócios de execuções de dívida individuais antes que seja definida a ordem de pagamento aos credores em geral.

Em seu despacho, o juiz determinou a suspensão automática de qualquer ação ou execução contra os bens de Vorcaro e seus parceiros que estejam nos Estados Unidos. A fundamentação leva em conta que o processo de liquidação principal está em andamento no Brasil, onde se concentram os principais interesses envolvidos no caso.

Autonomia para a Justiça brasileira

O juiz Grossman aceitou o pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas para reconhecer o caso como um "processo principal estrangeiro". Esse reconhecimento é crucial, pois garante autonomia para a Justiça brasileira conduzir a liquidação, e as decisões tomadas aqui terão plena força e efeito nos Estados Unidos.

A defesa de Daniel Vorcaro tentou impedir o reconhecimento, argumentando que o processo de liquidação ainda poderia ser revertido no Tribunal de Contas da União (TCU). Eles pediram que a Justiça norte-americana adiasse a decisão, mas o argumento não foi aceito pelo magistrado.

Poderes do liquidante nos EUA

Um dos pontos contestados pela defesa era a alegação de que o liquidante buscava adquirir poderes excessivos através dos tribunais americanos. O juiz, no entanto, foi claro em suas determinações. O liquidante está autorizado a examinar testemunhas, colher provas e solicitar informações sobre ativos, negócios, direitos e obrigações dos devedores nos EUA.

"O liquidante terá autoridade para agir de forma independente para cumprir quaisquer dos deveres e poderes concedidos por esta Ordem", escreveu o juiz Grossman. Além disso, ele determinou que, exceto em casos específicos, ninguém pode iniciar um processo contra o liquidante em tribunais dos EUA sem autorização expressa do tribunal da Flórida.

Agora, conforme a lei norte-americana, todas as pessoas e entidades estão proibidas de iniciar ou continuar qualquer ação relacionada aos ativos, direitos ou passivos de Vorcaro e do Banco Master localizados nos Estados Unidos. O magistrado afirmou que o reconhecimento do caso não causará dificuldades aos credores diretos ou a outras partes que venham a se envolver futuramente.

Esta decisão judicial internacional marca um capítulo importante na tentativa de organizar a liquidação do Banco Master, centralizando as ações sob a égide da Justiça brasileira enquanto protege o patrimônio existente no exterior para um eventual rateio entre os credores.