A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) realizou um encontro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para solicitar ajuda com o objetivo de transferir o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para o regime de prisão domiciliar. A informação foi inicialmente revelada pelo portal G1 e posteriormente confirmada pela reportagem da Folha de S.Paulo.
Pedido formal à Justiça
Na terça-feira, dia 13 de janeiro de 2026, a defesa de Bolsonaro já havia apresentado um novo pedido de prisão domiciliar, desta vez com argumentos de caráter humanitário, ao ministro Alexandre de Moraes, que é o relator do processo. O documento sublinha o estado de saúde do ex-presidente e menciona especificamente a queda que ele sofreu na semana passada.
A defesa requereu, com urgência, uma avaliação médica independente para verificar se o estado clínico de Bolsonaro é compatível com as condições da cela onde ele está detido, um cômodo na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Os advogados argumentam que a execução penal, especialmente quando envolve uma pessoa idosa e clinicamente vulnerável, não pode depender da sorte. "A tutela jurisdicional deve ser preventiva, e não reativa a tragédias consumadas", afirmaram na petição.
Preocupações com a saúde e as condições do cárcere
Michelle Bolsonaro tem expressado publicamente sua preocupação com a situação do marido. Ela afirmou, por exemplo, que não tem conhecimento do horário exato em que ocorreu a queda de Bolsonaro, o que, em sua avaliação, seria um indício de que a Polícia Federal não estaria totalmente preparada para prestar socorro rápido em caso de uma emergência médica.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que visitou o pai na quinta-feira (15), também fez duras críticas às condições da prisão. Ele relatou que o ex-presidente estava "soluçando muito" e reclamou novamente do barulho excessivo provocado pelo ar condicionado central, que fica próximo à cela.
"Ele pediu um abafador por causa do som enlouquecedor a que ele é submetido por quase 12 horas por dia, de 7h da manhã às 7h da noite", disse o parlamentar, que é pré-candidato à Presidência. "Isso é técnica de tortura, não tem outra palavra fofinha para dar", acrescentou, em declaração contundente.
Contexto político paralelo
Enquanto a situação do ex-presidente segue em debate no STF, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou uma reunião com representantes do Supremo, do Banco Central, da Polícia Federal e da Receita Federal para discutir o combate integrado ao crime organizado. O novo ministro da Justiça destacou a importância da integração entre os órgãos de Estado nesta frente.
O encontro de Michelle Bolsonaro com o ministro Gilmar Mendes coloca em evidência o debate sobre os limites e as condições do sistema prisional para figuras públicas idosas, mesclando questões jurídicas, de saúde e de direitos humanos em um dos casos de maior repercussão política do país.