Fachin se ausenta de ato de Lula sobre 8 de Janeiro em ano eleitoral
Fachin evita ato de Lula sobre 8 de Janeiro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, optou por não comparecer ao ato organizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quinta-feira, 8 de janeiro de 2026. A cerimônia no Palácio do Planalto marcou os três anos das invasões de 8 de Janeiro de 2023.

Ausência estratégica em ano eleitoral

Segundo apurou a reportagem, Fachin estava em Brasília, mas decidiu de última hora não participar do evento. Procurado, o ministro não comentou os motivos através de sua assessoria. Analistas políticos interpretam a movimentação como um esforço claro de manter a presidência do STF distante do calor do debate político, especialmente em um ano eleitoral.

O ato no Planalto acabou sendo restrito a forças de esquerda tradicionalmente alinhadas a Lula. Além de Fachin, também rejeitaram o convite os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Discurso republicano no STF horas depois

Horas após a cerimônia presidencial, Fachin discursou na abertura de um evento no próprio Supremo, que também tratava das manifestações de 2023. Em seu pronunciamento, o ministro enfatizou a necessidade de os três poderes "coexistem e dialoguem de forma respeitosa e republicana".

O evento no STF contou com a presença de representantes do governo, como os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), este último indicado para uma vaga em aberto no tribunal. A presença deles demonstra que Fachin não fechou os canais de contato institucionais, mas escolheu um ambiente mais neutro para o diálogo.

Veto e a sombra de uma futura análise no STF

A ausência dos presidentes do Legislativo no ato do Planalto teve um desdobramento imediato. Lula decidiu assinar durante o evento o veto ao projeto de lei que pode reduzir as penas dos condenados do 8 de Janeiro, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A expectativa no Congresso Nacional, no entanto, é que o veto seja derrubado. Caso isso ocorra, a constitucionalidade da lei poderá ser questionada no Supremo Tribunal Federal. Se a base governista acionar o tribunal, o próprio ministro Edson Fachin poderá ser um dos responsáveis por analisar o mérito da questão.

Esta situação coloca em evidência a delicada atuação de Fachin, que é um defensor da criação de um código de ética para o STF. O projeto que ele advoga incluiria regras mais claras sobre a participação de ministros em eventos com políticos e empresários, justamente para evitar alinhamentos públicos em momentos sensíveis, como um ano eleitoral.