Desmatamento cai no Cerrado e Amazônia em 2025, mas desafio continua
Desmatamento diminui na Amazônia e Cerrado em 2025

O Brasil registrou uma redução na taxa de desmatamento em seus dois maiores biomas no ano de 2025, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os números apontam para uma tendência de queda, mas também revelam que o ritmo dessa diminuição está mais lento, o que coloca em perspectiva o enorme desafio de cumprir a meta de acabar com o desmatamento ilegal até 2030.

Queda histórica na Amazônia

Na Amazônia, o monitoramento por satélites realizado pelo sistema DETER do INPE, que emite alertas em tempo real, mostrou que a área sob alerta de desmatamento em 2025 foi de 3.817 quilômetros quadrados. Esse valor representa uma redução de quase 9% em relação ao ano anterior e configura a terceira queda consecutiva no índice.

Trata-se do melhor resultado para o bioma em um período de oito anos. O monitoramento sistemático na região começou em 2016, e os piores índices foram registrados em 2022, quando mais de 10 mil quilômetros quadrados de floresta foram derrubados.

Cerrado também apresenta melhora, mas em ritmo preocupante

Pelo segundo ano seguido, os satélites do INPE identificaram uma redução na área destruída no Cerrado. Em 2025, a área desmatada no bioma foi de 5.357 quilômetros quadrados. Os estados que lideraram os índices de destruição foram Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Especialistas, no entanto, alertam para a gravidade da situação. Yuri Salmona, diretor do Instituto Cerrados, ressalta que as reduções partem de um patamar extremamente elevado. "O Cerrado já tem mais de 50% da sua área desmatada. A gente precisava frear esse desmatamento de uma maneira muito mais severa", afirmou.

Meta de 2030 exige mudança de estratégia

Apesar da queda, a desaceleração no ritmo da redução preocupa autoridades e ambientalistas. O governo federal reconhece que é preciso ir além das ações tradicionais de fiscalização para alcançar a meta de zerar o desmatamento ilegal até o final desta década.

André Lima, secretário de Controle de Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, destacou a necessidade de investir em novos modelos econômicos. "Investir em atividades produtivas sustentáveis, investir em atividades econômicas com a floresta em pé, investir em melhorar a produção nas áreas já desmatadas", enumerou o secretário, apontando o caminho para uma solução duradoura.

Os dados de 2025, portanto, trazem um sinal positivo, mas servem principalmente como um alerta de que a simples manutenção das políticas atuais pode não ser suficiente. O combate ao desmatamento ilegal nos dois maiores biomas do país entra em uma fase que demanda inovação, investimento em bioeconomia e uma atuação integrada entre poder público, setor produtivo e sociedade.