Fachin enfrenta resistência interna no STF para aprovar código de conduta dos ministros
Fachin enfrenta resistência no STF por código de conduta

Fachin enfrenta resistência interna no STF para aprovar código de conduta dos ministros

Desde que assumiu a missão de aprovar um código de conduta para o Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin se encontra em uma posição delicada diante de seus pares. A proposta dividiu a Corte entre aqueles que se opõem a qualquer norma complementar à Constituição e à Lei Orgânica da Magistratura e aqueles que apoiam a iniciativa, mas duvidam da capacidade do presidente em fazer avançar a matéria.

Divisão interna e oposição vocal

Entre os ministros mais vocais contra a proposta estão Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que defendem que as normas existentes já são suficientes para regulamentar as atividades dos integrantes do STF. Fachin, no entanto, demonstra determinação em não deixar a pauta morrer antes mesmo de seu nascimento, movimentando-se ativamente fora da Corte para empurrar a agenda adiante.

O magistrado tem preferido realizar reuniões discretas com juristas, ex-ministros, presidentes de outros tribunais superiores e até juízes estrangeiros, buscando chegar a um texto que seja aceitável para quem veste as togas mais poderosas do país. Uma dessas conversas ocorreu na casa do ex-decano Celso de Mello, em São Paulo, no final de janeiro, onde durante quase três horas trocaram impressões e ideias sobre o projeto.

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Defesa da transparência e ética judicial

"A ética judicial deve estar visível, escrita e aberta ao escrutínio da sociedade", afirma o ministro aposentado Celso de Mello, defensor da adoção de normas que proíbam viagens de ministros em jatinhos particulares, regulamentem a atuação em julgamentos cujas causas são representadas por parentes e tragam mais transparência aos rendimentos obtidos pelos juízes com palestras.

Internamente, Fachin conta com o apoio estratégico de Cármen Lúcia — a integrante mais bem avaliada do STF —, a quem escalou para ser a relatora da primeira versão do texto do código de ética. Em uma ação para tentar acelerar o processo, Fachin e os presidentes dos demais tribunais superiores se alinharam em um almoço no início do mês, demonstrando união na busca por ajustes fundamentais para a construção e manutenção da legitimidade em todos os âmbitos decisórios.

Apoio da sociedade civil e inspiração internacional

Uma campanha encabeçada por representantes da sociedade civil reforça a retaguarda do ministro, com mais de 51.000 assinaturas coletadas a favor do código, que é inspirado na norma do tribunal alemão. "De certa forma, as regras já estão em vigor", aponta o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., que integra a comissão de notáveis da OAB responsável pelo primeiro esboço do documento.

A proposta visa regulamentar a atuação dos magistrados e gerar mais clareza para a sociedade, mas resta saber se os ministros do STF concordarão em adotar tais normas. O debate continua aquecido, com Fachin demonstrando persistência em sua missão de implementar um código de conduta que promova maior transparência e ética no mais alto tribunal do país.

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