Alcolumbre sabia da indicação de Messias ao STF, mas não do envio imediato
Alcolumbre sabia de Messias ao STF, mas não do envio imediato

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), estava ciente de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviaria em breve ao Congresso a mensagem com a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, ele não esperava que o envio ocorresse nesta terça-feira (31), de acordo com fontes próximas a Alcolumbre.

Diálogo prévio e expectativas não atendidas

Segundo interlocutores do presidente do Senado, a última conversa direta entre Lula e Alcolumbre sobre o assunto aconteceu há aproximadamente 15 dias, durante um telefonema. Na ocasião, o presidente da República informou que pretendia encaminhar a indicação de Messias ao Senado nas semanas seguintes, mas não especificou uma data exata.

De acordo com pessoas a par do diálogo, Alcolumbre reagiu afirmando que o envio da indicação é uma prerrogativa do presidente e disse estar "tudo bem". Ele, porém, não se comprometeu a atuar pessoalmente para garantir a aprovação do nome no Senado, e desde então, os dois não voltaram a discutir o tema diretamente.

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Falta de aviso prévio e ajustes políticos

Auxiliares de Alcolumbre relatam que havia a expectativa de um novo encontro ou contato antes da formalização do envio da mensagem, o que não se concretizou até a oficialização nesta terça-feira. Integrantes do entorno do senador destacam que o ponto central não foi a escolha do nome – já conhecida –, mas o momento do envio.

A avaliação é que Alcolumbre esperava uma retomada do diálogo com Lula para tratar de pendências e ajustar arestas políticas antes da confirmação formal da indicação. Nos bastidores do Senado, aliados do presidente afirmam que ele aguardava o envio da mensagem desde novembro do ano passado e que, assim como no anúncio da escolha, não houve aviso prévio imediato antes do encaminhamento oficial ao Congresso.

Articulação política e cenário favorável

A articulação política em torno da aprovação de Messias no Senado é considerada responsabilidade do líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner (PT-BA), segundo esse grupo. Interlocutores relatam que Wagner e Alcolumbre não mantêm hoje um canal direto de negociação, com contatos restritos a conversas pontuais em plenário.

Do lado do governo, aliados afirmam que o próprio Jorge Messias manifestou a Lula o desejo de que a indicação fosse finalmente enviada. O advogado-geral da União avaliou que o cenário no Senado se tornou mais favorável nas últimas semanas, com uma percepção entre aliados do Planalto de que seu nome reuniria votos suficientes para aprovação.

Interlocutores otimistas e ausência de acordo formal

Entre os parlamentares citados como interlocutores otimistas em relação à tramitação estão o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) e a senadora Gleisi Hoffmann. No entanto, até o momento, não há acordo formal entre Planalto e Senado sobre um calendário para a sabatina e a votação da indicação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário da Casa.

Esta situação destaca as complexidades políticas envolvidas na nomeação para o STF, com expectativas de diálogo não atendidas e uma articulação que depende de múltiplos atores no Congresso Nacional.

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