Dinamarca: Vitória apertada de Frederiksen deixa futuro político incerto após eleição
Vitória apertada de Frederiksen deixa futuro político incerto na Dinamarca

Dinamarca: Vitória apertada de Frederiksen deixa futuro político incerto após eleição

O Partido Social-Democrata da primeira-ministra Mette Frederiksen conquistou uma vitória apertada nas eleições parlamentares da Dinamarca, realizadas nesta terça-feira (24), conforme indicam as pesquisas boca de urna. No entanto, o resultado foi tão estreito que ainda não está claro se será suficiente para manter Frederiksen no cargo, uma das figuras mais importantes do atual cenário político europeu.

Resultados históricos e desafios de coalizão

De acordo com os principais levantamentos, a sigla de Frederiksen obteve entre 19% e 21% dos votos, representando o pior desempenho do partido de raízes trabalhistas desde o ano de 1901. Essa vitória amarga coloca o futuro político da primeira-ministra nas mãos dos Moderados, legenda do ministro de Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, que alcançou de 7,9% a 8,2% dos votos.

Rasmussen, que já ocupou o cargo de premiê por dois períodos, declarou na véspera do pleito que não almeja a posição, mas que trabalhará para formar a melhor coalizão de governo possível. Pelas primeiras projeções, o bloco que reúne os partidos de esquerda e centro-esquerda, incluindo os sociais-democratas, alcançaria 83 das 179 cadeiras no Folketing, o Parlamento dinamarquês.

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Da mesma forma, o bloco à direita, com 78 cadeiras, também não chegaria perto da maioria necessária de 90 assentos. Em qualquer cenário, as 14 cadeiras previstas para os Moderados tornam Rasmussen uma peça fundamental em qualquer negociação de coalizão.

Análise política e cenário doméstico

"É ele quem ditará o ritmo agora. Ainda acho que Frederiksen continuará a primeira-ministra, mas sem dúvida estará enfraquecida no cargo", afirma Lykke Friis, diretora do think tank dinamarquês Europa. "Não será um problema para ela compor com os Moderados, já fez isso em 2022", diz a cientista política. "Mas tudo vai depender dos resultados finais e das negociações."

Segundo Friis, a decisão de Frederiksen de convocar eleições após um pico de popularidade, proporcionado pelas ameaças de Donald Trump sobre a Groenlândia, não foi um movimento especulativo. "Ela teria que fazê-lo até outubro e sabe-se lá o que poderia acontecer nesse meio tempo."

Apesar de ser o principal assunto a atrair atenção internacional para o país europeu de 6 milhões de habitantes, a Groenlândia foi superada largamente por questões domésticas durante a campanha eleitoral. O bem-estar animal na criação de suínos e a contaminação da água potável por fertilizantes deixaram as bravatas de Trump e a guerra da Ucrânia em segundo plano.

Perspectiva da Groenlândia e propostas de campanha

Contudo, o cenário é bem diferente visto de Nuuk, capital da Groenlândia. "Penso que é a eleição dinamarquesa mais importante da história da Groenlândia", declarou Jens-Frederik Nielsen, primeiro-ministro da ilha, território autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca. Dos 179 assentos do Parlamento em Copenhague, dois são decididos pelos groenlandeses e dois pelos habitantes das Ilhas Faroe.

Para Nielsen, a situação do território "ainda é muito séria". Em um aceno aos eleitores de esquerda, frustrados com a última coalizão que montou com Moderados e também o Partido Liberal, Frederiksen atrelou sua campanha à taxação de 0,5% do patrimônio privado acima de R$ 20 milhões para bancar reformas sociais, o que irritou parceiros de coalizão.

Ela prometeu ainda estudar a flexibilização da idade de aposentadoria, atualmente fixada em 70 anos a partir de 2040, uma das mais altas entre os países da União Europeia.

Sistema político complexo e expectativas futuras

Com 12 partidos e uma cláusula de barreira de 2%, obter maioria não é tarefa fácil no sistema político dinamarquês. Desde a reforma política de 1973, apenas 2 dos 23 governos formados não foram conduzidos por coalizões minoritárias, algo que, ao contrário do que ocorre com frequência em outros países europeus, não prejudica a governabilidade.

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Apesar desse histórico, Friis não se mostra muito otimista. "Está cada vez mais difícil montar governos. A ver o que como Frederiksen e Rasmussen se sairão desta vez." As negociações para a montagem do novo gabinete devem consumir várias semanas, em um processo que definirá os rumos políticos da Dinamarca nos próximos anos.