O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, combinado com a instabilidade política após a prisão de Nicolás Maduro, está levando a Venezuela a um colapso econômico iminente. A informação foi destaque em reportagem do jornal americano The New York Times nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026.
Paralisia da produção petrolífera
De acordo com autoridades anônimas ouvidas pelo NYT, as restrições americanas devem paralisar mais de 70% da produção de petróleo do país. Implementado no mês passado, o bloqueio impede a entrada e saída de navios-tanque dos portos venezuelanos.
A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) tem tentado contornar a situação redirecionando o petróleo bruto para tanques de armazenamento fixos e transformando petroleiros ociosos em unidades flutuantes de armazenamento. No entanto, especialistas alertam que é uma questão de tempo até que o espaço se esgote.
Segundo a empresa de dados TankerTrackers, a capacidade de armazenamento será totalmente preenchida até o final de janeiro. Sem poder escoar a produção, o setor entrará em colapso operacional.
Queda drástica na produção e receitas
Fontes familiarizadas com as projeções informaram ao NYT que, com o bloqueio mantido, a produção de petróleo da Venezuela deve despencar de cerca de 1,2 milhão de barris por dia para apenas 300 mil até o final de 2026.
As consequências para as finanças públicas serão devastadoras. Francisco Rodríguez, especialista em economia venezuelana da Universidade de Denver, explicou ao jornal que as exportações de petróleo representam cerca de 40% da receita pública do país. A perda dessa renda inviabilizará a importação de bens e a manutenção de serviços básicos para a população.
Pressão internacional e cenário futuro
A reversão do cenário dependeria de pressão de aliados de Caracas, como a China, sobre os Estados Unidos. Contudo, analistas consideram isso improvável, pois Pequim pode facilmente substituir o petróleo venezuelano por fornecedores como Rússia e Irã.
Em declaração à CBS News no domingo, 4 de janeiro, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi enfático: as sanções permanecerão até que o governo venezuelano abra sua indústria petrolífera estatal ao investimento estrangeiro, com prioridade para empresas americanas.
Enquanto isso, o governo interino de Delcy Rodríguez tenta burlar o cerco. Desde o último sábado, pelo menos 16 petroleiros sob sanções parecem ter tentado deixar portos venezuelanos desligando sinais de transmissão ou disfarçando localizações.
O pior cenário: catástrofe anunciada
O New York Times define a permanência das restrições como uma rota direta para a catástrofe econômica. No pior cenário, a produção nacional ficaria limitada apenas aos campos operados pela empresa americana Chevron em 2026.
Isso forçaria a PDVSA a suspender contratos de dezenas de milhares de trabalhadores e cortar benefícios, agravando ainda mais a crise social. As projeções atuais, calculadas antes da queda de Maduro, podem ser otimistas, pois não consideram plenamente a atual incerteza política.
O horizonte para os venezuelanos, já castigados por anos de crise, parece cada vez mais sombrio e incerto, com o bloqueio estrangulando a última grande fonte de divisas do país.