Venezuela liberta presos políticos com Lei da Anistia, mas números geram controvérsia
Venezuela liberta presos políticos com Lei da Anistia

Venezuela inicia processo de libertação de presos políticos com nova legislação

A Venezuela deu um passo significativo em direção à reconciliação nacional com a assinatura da Lei da Anistia para a Convivência Democrática, promulgada pela presidente interina Delcy Rodríguez. A medida, anunciada oficialmente no sábado, 21 de fevereiro de 2026, prevê a concessão de liberdade a 379 presos políticos, conforme divulgado por agências internacionais. Rodríguez, que assumiu o poder após a queda do ditador Nicolás Maduro, enfatizou em discurso televisivo que a legislação busca construir "uma Venezuela mais democrática, justa e livre".

Discrepância nos números gera desconfiança

Contudo, a implementação da lei enfrenta contestações imediatas. A organização não-governamental Foro Penal, que monitora sistematicamente os presos políticos no país, registrou até o momento a libertação de apenas dois detidos. Gonzalo Himiob, diretor vice-presidente da entidade, afirmou em redes sociais que "estamos verificando que durante a noite de ontem e a madrugada de hoje estão se materializando as primeiras liberações derivadas da Lei da Anistia". Essa discrepância entre o anunciado pelo governo e o observado por grupos de direitos humanos levanta questões sobre a transparência do processo.

Requisitos da lei são alvo de críticas da oposição

A oposição venezuelana tem questionado aspectos específicos da nova legislação, particularmente um trecho que exige que a pessoa "esteja à disposição da Justiça ou se apresente à Justiça". Isso significa que os beneficiários potenciais devem comparecer aos tribunais venezuelanos para determinar se a anistia se aplica, um requisito que pode ser impraticável para muitos que fugiram do país ou temem represálias. Além disso, a concessão do perdão judicial não é automática, dependendo de pedidos formais junto a tribunais locais, o que pode retardar as libertações.

Contexto histórico e desafios persistentes

Desde sua ascensão ao poder, o governo interino concedeu liberdade condicional a 448 opositores, mas centenas de outros detidos, classificados pelo regime anterior como envolvidos em "atividades terroristas", podem não receber o benefício. Especialistas alertam que o conceito de "atividades terroristas" usado pelo Palácio Miraflores tem sido amplamente controverso, muitas vezes enquadrando simples opositores políticos. Especialistas independentes das Nações Unidas ressaltaram que a anistia "deve ser aplicada a todas as vítimas de processos ilegais e integrada em um processo abrangente de justiça de transição".

Rodríguez, que chegou ao poder sob circunstâncias polêmicas, alega que a medida trará paz ao país, mas a implementação efetiva e a adesão a padrões internacionais de direitos humanos permanecem sob escrutínio. A comunidade internacional observa atentamente se esta iniciativa marcará um verdadeiro avanço democrático ou se será mais um capítulo na complexa política venezuelana.