Trump ameaça anexar Groenlândia e líderes europeus reagem com firmeza
Trump volta a ameaçar anexar a Groenlândia

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o premiê da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reagiram com veemência às novas ameaças de anexação do território ártico feitas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista à revista The Atlantic no domingo (4), Trump, encorajado pela intervenção na Venezuela, reiterou o interesse norte-americano na Groenlândia, um território autônomo dinamarquês.

Rejeição Firme dos Líderes Locais

Jens-Frederik Nielsen foi direto ao ponto em uma publicação no Facebook. "Chega", escreveu o governante groenlandês. "Chega de insinuações. Chega de fantasias sobre anexação. Estamos abertos ao diálogo, mas isso deve acontecer pelos canais adequados e respeitando o direito internacional", declarou Nielsen, que lidera o território que faz parte do reino da Dinamarca desde o século XVIII.

Mette Frederiksen também não poupou palavras ao se manifestar através da DR, a emissora pública dinamarquesa. Ela afirmou que os Estados Unidos "não têm absolutamente nenhum direito de anexar a Groenlândia" e pediu o fim das ameaças "contra um aliado histórico e contra um país e um povo que já deixaram claro que não estão à venda". A primeira-ministra acrescentou, com preocupação: "Infelizmente, acho que o presidente americano deve ser levado a sério".

Onda de Solidariedade Internacional

Ainda no domingo, países nórdicos saíram em defesa da Dinamarca. O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, escreveu no X que "a Groenlândia é parte integrante do Reino da Dinamarca" e que a Noruega se solidariza plenamente com o país. Na mesma linha, o premiê sueco, Ulf Kristersson, afirmou que "somente a Dinamarca e a Groenlândia têm o direito de decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia".

O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, reforçou a posição: "Ninguém decide pela Groenlândia e pela Dinamarca, exceto a própria Groenlândia e a Dinamarca". Na segunda-feira (5), a França também entrou no coro de apoio. Pascal Confavreux, porta-voz do ministério das Relações Exteriores francês, declarou à imprensa que "fronteiras não podem ser alteradas à força" e que a Groenlândia pertence aos seus povos, cabendo a eles decidir seu futuro.

A Alemanha também se posicionou. Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores alemão, disse que a integridade territorial da Dinamarca e da Groenlândia é "indiscutível na Europa", destacando a unidade europeia sobre a questão. Ele lembrou que, embora o território faça parte da Otan e esteja inserido na discussão de segurança do Ártico, isso não afeta sua soberania.

As Declarações e Ameaças de Trump

Na entrevista à The Atlantic, Trump justificou seu interesse: "Nós precisamos de verdade da Groenlândia. Para a nossa defesa". Ele também abordou o assunto com jornalistas a bordo do Air Force One, descrevendo a região ártica como um lugar repleto de "embarcações russas e chinesas". Durante a conversa, o ex-presidente ainda fez ameaças contra Colômbia, Cuba, México e Irã.

Trump chegou a estabelecer um prazo informal para tratar do assunto, mencionando "uns dois meses" e sugerindo uma conversa com a União Europeia em "20 dias". Em resposta, um porta-voz do bloco europeu afirmou nesta segunda-feira que "a UE continuará a defender os princípios da soberania nacional".

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foi enfático em seu apoio a Frederiksen: "Eu estou do lado dela". A diretora da Chatham House, Bronwen Maddox, analisou que a ação de Trump na Venezuela coloca os aliados em um "dilema moral e tático", alertando que países como Canadá, Panamá e a própria Groenlândia, dentro da definição geográfica do "Hemisfério Ocidental" da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, têm motivos para se preocupar.

Contexto Geopolítico e a Posição da Groenlândia

A Europa inicia 2026 em um novo momento crítico da crise geopolítica, tendo que equilibrar o apoio americano na disputa com a Rússia e a defesa da integridade de seus domínios. A Groenlândia, uma antiga colônia dinamarquesa com aproximadamente 57 mil habitantes, detém o direito de declarar independência desde 2009. No entanto, desde o recomeço do assédio americano há um ano, com o retorno de Trump à Casa Branca, o território autônomo tem mantido seu alinhamento com Copenhague, de quem depende economicamente e para sua defesa.

O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, tem repetido consistentemente nos últimos meses que é a ilha quem decidirá seu próprio futuro. A firme reação de líderes locais e europeus deixa claro que, apesar das ambições geopolíticas externas, a soberania sobre o território ártico não está em negociação.