Trump anuncia ataques terrestres no México contra cartéis após operação na Venezuela
Trump planeja ataques terrestres no México contra cartéis

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, uma escalada militar direta e sem precedentes contra o narcotráfico. Em declaração à emissora Fox News, Trump afirmou que as forças americanas iniciarão operações terrestres no território mexicano, visando diretamente os cartéis de drogas que, segundo ele, controlam o país vizinho.

Uma declaração que desafia a soberania e o direito internacional

A medida anunciada por Trump representa uma violação clara do direito internacional, pois consiste em uma ação militar em solo estrangeiro sem o consentimento do governo local. O México é um aliado histórico e um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, o que torna a declaração ainda mais impactante.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, já se posicionou de forma categórica contra qualquer possibilidade de intervenção militar estrangeira. Ela rejeitou consistentemente propostas anteriores de Trump para o envio de tropas americanas e, nesta segunda-feira, 5 de janeiro, fez um discurso defendendo que as Américas "não pertencem" a nenhuma nação em particular, uma clara resposta às pretensões de Washington.

Trump não forneceu detalhes sobre o cronograma ou o alcance exato das operações planejadas, limitando-se a afirmar: "Vamos começar agora a atacar por terra os cartéis. Os cartéis controlam o México".

Contexto de uma escalada militar na região

O anúncio sobre o México não é um fato isolado, mas parte de uma sequência agressiva de ações militares dos EUA na América Latina sob a atual administração:

  • Operação na Venezuela: No último sábado, 3 de janeiro, a unidade de elite Forças Delta invadiu Caracas e capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro, que foi extraditado para Nova York para enfrentar acusações de "narcoterrorismo".
  • Ataques navais: Desde setembro de 2025, os EUA vêm realizando bombardeios contra embarcações em águas internacionais no Caribe e no Pacífico, alegando que são barcos de narcotraficantes. Autoridades americanas afirmam que essas ações resultaram na morte de mais de 110 pessoas.
  • Designação como terroristas: Em fevereiro de 2025, Trump já havia designado seis cartéis mexicanos, incluindo o poderoso Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração, como organizações terroristas internacionais.

Juristas internacionais têm denunciado os ataques navais como execuções extrajudiciais. Agora, a perspectiva de incursões terrestres no México eleva o conflito a um novo patamar, com riscos imprevisíveis para a estabilidade regional.

A crise do fentanil e a justificativa americana

A motivação central apresentada pela Casa Branca para essas ações militares é o combate ao fluxo de drogas sintéticas, principalmente o fentanil. Desde 2021, as overdoses por fentanil e outros opioides causam mais de 100 mil mortes por ano nos Estados Unidos.

Os cartéis mexicanos são responsáveis pela produção da maior parte dessa droga que entra nos EUA, utilizando precursores químicos provenientes principalmente da China. Em dezembro passado, Trump chegou a designar o fentanil como uma "arma de destruição em massa", enquadrando o combate ao tráfico como uma questão de segurança nacional existencial.

No México, a violência entre os cartéis é extrema. Apenas no ano passado, a disputa por rotas e territórios entre as facções criminosas resultou em mais de 30 mil mortes.

O próximo capítulo dessa crise geopolítica ainda está por ser escrito. Resta saber se Trump buscará uma autorização formal do Congresso americano para agir no México ou se seguirá o precedente da operação na Venezuela, realizada sem uma declaração de guerra. Enquanto isso, a presidente Sheinbaum já sinaliza que proporá reformas constitucionais para fortalecer as proteções legais contra operações estrangeiras não autorizadas, preparando o terreno para um confronto diplomático e legal de grandes proporções.