Trump ordena ataque ao Irã sem autorização do Congresso americano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou uma operação militar contra o Irã sem solicitar a aprovação prévia do Congresso americano, conforme exigido pela legislação do país. A decisão gerou imediata controvérsia política e jurídica, com especialistas questionando a constitucionalidade da ação.
Notificação tardia e críticas da oposição
Coube ao secretário de Estado Marco Rubio informar os líderes do Congresso sobre os ataques, apenas momentos antes de serem iniciados. O líder da oposição no Senado, Chuck Schumer, criticou veementemente a ofensiva, declarando: “O povo americano não quer outra guerra interminável e custosa no Oriente Médio quando há tantos problemas em casa.”
Líderes da oposição condenaram os ataques sem a devida autorização parlamentar e defenderam a elaboração de uma resolução para limitar os poderes de guerra do presidente. Eles argumentam que a medida viola procedimentos democráticos estabelecidos.
Contexto peculiar: festa e sala de crise
Horas antes de autorizar os ataques, Donald Trump foi visto participando de uma festa na Flórida, onde dançou brevemente e comentou: “Temos que ir trabalhar.” Em seguida, sua propriedade em Mar-a-Lago foi transformada em uma sala de crise altamente protegida do governo americano.
No dia seguinte, Trump monitorou a situação e manteve contato com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Dezessete dias antes, Netanyahu visitou a Casa Branca e, segundo fontes do governo americano, pressionou o presidente a não confiar no Irã.
Justificativa de Trump e duração da operação
Em entrevista ao site Axios, Trump explicou sua decisão: “Entendi que os iranianos realmente não queriam um acordo.” Sobre a duração da operação militar, ele afirmou: “Eu posso ir por muito tempo e assumir o controle total, ou encerrá-la em dois ou três dias e dizer aos iranianos: ‘Nos vemos daqui a alguns anos, se vocês começarem a reconstruir [seus programas nucleares e de mísseis]’.”
Questionamento constitucional por especialistas
O professor de Direito Constitucional Bruce Ackerman, da Universidade Yale, declarou que o ataque sem aprovação do Congresso é inconstitucional. Ele destacou que, pela lei de 1973, o presidente deve notificar o Congresso, que então deve votar pela aprovação do ataque.
“E depois, se um conflito de fato começar, há uma série de passos exigindo que o presidente obtenha autorização adicional”, explicou o professor, enfatizando a gravidade do desrespeito aos procedimentos legais.
Histórico de ofensivas e impacto político
Em seus dois mandatos, Donald Trump autorizou três ofensivas militares contra o Irã:
- Em 2020, os Estados Unidos mataram o chefe da Guarda Revolucionária iraniana, Qassem Soleimani, no Iraque.
- No ano passado, conduziu o primeiro ataque em solo iraniano em décadas para destruir instalações nucleares.
- A operação atual é a mais ambiciosa, visando não apenas destruir estruturas militares, mas abrir caminho para a derrubada do regime dos aiatolás.
O professor Ackerman alertou que o ataque ao Irã pode afetar a popularidade de Trump e do Partido Republicano em um ano de eleições parlamentares, que renovarão toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado. “Durante as campanhas, Trump repudiou completamente a noção de lutar guerras em nome de outros países, por qualquer razão que fosse. Agora, faz o contrário. Ele começou uma guerra. E os iranianos contra-atacaram.”
Consequências e reações internacionais
A ação militar sem consulta ao Congresso levantou sérias dúvidas sobre o equilíbrio de poderes nos Estados Unidos e pode influenciar as relações internacionais com o Irã e aliados na região. A situação permanece tensa, com observadores monitorando desenvolvimentos e possíveis retaliações.
