Troca de comando ameaça independência do banco central americano
Troca de comando ameaça independência do Fed

A presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, chegou ao fim para Jerome Powell nesta sexta-feira (15). O término de seu mandato encerra um período de oito anos marcado por intensos embates com o ex-presidente Donald Trump, que questionou repetidamente a autonomia da instituição na condução da política monetária.

Indicação e primeiros conflitos

Em 2017, Trump indicou Powell para o cargo, descrevendo-o como 'forte, comprometido e inteligente'. Contudo, a relação azedou rapidamente quando Powell promoveu quatro aumentos consecutivos das taxas de juros no primeiro ano de mandato. A decisão irritou o presidente, que esperava uma postura mais accommodatícia.

Pandemia e inflação

Com a pandemia de Covid-19, Powell mobilizou todo o poder do Fed para resgatar o sistema financeiro. A recuperação foi rápida, mas a inflação disparou, atingindo o maior nível em mais de 40 anos. A guerra na Ucrânia agravou a crise, levando o Fed a elevar os juros 11 vezes entre 2022 e 2023, chegando ao patamar mais alto em duas décadas.

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Críticas e investigação

Após retornar à Casa Branca em 2025, Trump intensificou as críticas, chamando Powell de 'idiota' e ameaçando demiti-lo — o que a lei só permite por justa causa. Em janeiro de 2026, o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal inédita contra Powell, apurando se ele mentiu ao Congresso sobre os custos da reforma da sede do Fed. Em pronunciamento público, Powell acusou o governo de intimidação.

Sucessão e futuro

Trump indicou Kevin Warsh, executivo do setor financeiro alinhado ao ex-presidente, para substituir Powell. Aprovado no Senado, Warsh prometeu manter a independência do Fed, mas defende uma 'mudança de regime', com menos intervenções nos mercados, política monetária baseada em regras previsíveis e foco restrito no controle da inflação. O primeiro desafio será responder à inflação impulsionada pelo aumento da gasolina devido à guerra no Irã, o que exigiria manutenção ou alta dos juros — cenário que Trump rejeita.

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