Empresas lucram bilhões com guerra no Irã; veja setores beneficiados
Empresas lucram bilhões com guerra no Irã; veja setores

Enquanto famílias ao redor do mundo enfrentam os prejuízos causados pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, algumas empresas registram lucros bilionários. As incertezas do conflito e o fechamento do estreito de Ormuz pelos iranianos elevam o custo de vida e prejudicam orçamentos de empresas, famílias e governos. No entanto, determinados setores se beneficiam da instabilidade, especialmente os ligados à energia e ao mercado financeiro.

1. Petróleo e gás

O principal impacto da guerra na economia global foi o forte aumento dos preços da energia. Cerca de 20% do petróleo e do gás mundiais passam pelo estreito de Ormuz, cujo tráfego foi interrompido no final de fevereiro. Isso gerou oscilações intensas nos mercados, beneficiando grandes petroleiras europeias com divisões de trading. A BP (British Petroleum) viu seus lucros mais que dobrarem no primeiro trimestre, atingindo US$ 3,2 bilhões (cerca de R$ 15,7 bilhões), graças ao desempenho "excepcional" de sua área de trading. A Shell superou expectativas com lucro de US$ 6,92 bilhões (cerca de R$ 33,9 bilhões) no mesmo período. A TotalEnergies registrou alta de quase um terço nos lucros, para US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 26,4 bilhões), impulsionada pela volatilidade. Já as americanas ExxonMobil e Chevron tiveram queda nos ganhos em comparação ao ano anterior, mas superaram previsões e esperam crescimento com preços do petróleo ainda elevados.

2. Grandes bancos

Os maiores bancos do mundo também viram seus lucros dispararem. O JP Morgan atingiu receita recorde de trading de US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 56,8 bilhões), contribuindo para o segundo maior lucro trimestral de sua história. No grupo dos "Seis Grandes" (JP Morgan, Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs e Wells Fargo), os lucros somaram US$ 47,7 bilhões (cerca de R$ 233,4 bilhões) no primeiro trimestre de 2026. Segundo a estrategista Susannah Streeter, do Wealth Club, "os altos volumes de trading beneficiaram bancos de investimento, especialmente Morgan Stanley e Goldman Sachs". Investidores correram para vender ativos de risco e comprar opções mais seguras, alimentando a volatilidade e os ganhos bancários.

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3. Defesa

O setor de defesa é um dos mais beneficiados em qualquer conflito, como aponta a analista Emily Sawicz, da RMS UK. "O conflito reforçou lacunas na defesa aérea, acelerando investimentos em sistemas antimísseis, combate a drones e equipamentos militares na Europa e nos EUA", diz. A BAE Systems, fabricante de componentes do caça F35, espera forte crescimento em 2026 devido ao aumento das "ameaças de segurança". Já Lockheed Martin, Boeing e Northrop Grumman relataram atrasos recordes de pedidos no início do ano, mas suas ações caíram desde março por temores de supervalorização do setor.

4. Energia renovável

O conflito também destacou a necessidade de diversificar fontes energéticas, impulsionando o setor renovável. A NextEra Energy, da Flórida, viu suas ações subirem 17% em 2026. As dinamarquesas Vestas e Orsted relataram aumento de lucros. No Reino Unido, a Octopus Energy afirmou que a guerra gerou "enorme impulso" para vendas de painéis solares e bombas de calor, com alta de 50% nas vendas de painéis desde fevereiro. A demanda por veículos elétricos também cresceu, beneficiando especialmente fabricantes chineses.

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