Tarique Rahman: O exilado que retorna para liderar Bangladesh após vitória histórica do BNP
O cenário político de Bangladesh vive uma transformação radical com a vitória esmagadora do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) nas eleições parlamentares realizadas nesta sexta-feira, 13 de fevereiro. Após quase duas décadas afastado do poder, o partido conquistou aproximadamente 70% das cadeiras legislativas, abrindo caminho para que seu líder, Tarique Rahman, assuma o cargo de primeiro-ministro.
Herdeiro de uma dinastia política
Tarique Rahman, de 60 anos, é filho de duas figuras fundamentais na história recente de Bangladesh: o ex-presidente Ziaur Rahman, fundador do BNP, e a ex-primeira-ministra Khaleda Zia. Seu pai, uma personalidade proeminente no período pós-independência, foi assassinado em 1981, enquanto sua mãe se tornou a principal rival política da então primeira-ministra Sheikh Hasina nos últimos 15 anos.
Inicialmente estudante de Relações Internacionais na Universidade de Dhaka, Rahman abandonou os estudos para empreender no setor têxtil antes de ingressar formalmente na política em 2001, quando se filiou ao BNP. Sua rápida ascensão a uma posição sênior no partido, enquanto sua mãe ocupava o cargo de primeira-ministra, gerou acusações de nepotismo por parte da oposição.
Exílio de 17 anos e retorno triunfal
Durante a crise política de 2007, um governo interino apoiado por militares prendeu Rahman sob acusações de corrupção. Após 18 meses na prisão, ele foi libertado e partiu para Londres, onde permaneceu em exílio autoimposto pelos próximos 17 anos.
Com a ascensão de Sheikh Hasina ao poder em 2009, Tarique tornou-se alvo de múltiplos inquéritos por corrupção, sendo condenado à revelia em vários casos – acusações que ele sempre negou veementemente. De Londres, testemunhou a marginalização progressiva do BNP em sucessivos processos eleitorais, com prisões de líderes seniores, fechamento de escritórios e desaparecimento de trabalhadores partidários.
Seu retorno a Bangladesh ocorreu apenas após a deposição de Hasina em 2025, cinco dias antes do falecimento de sua mãe. Recebido como um herói, foi rapidamente conduzido à liderança do BNP, adotando desde então um estilo notavelmente discreto e conciliador.
Promessas de estabilidade e renovação
Em contraste com sua reputação anterior de "operador ousado" – frequentemente acusado pela oposição de administrar um centro de poder paralelo –, Rahman tem evitado retórica inflamatória desde seu retorno. Em entrevista à agência Reuters, defendeu a reconciliação nacional: "O que a vingança traz para alguém? As pessoas têm que fugir deste país por vingança. Isso não traz nada de bom. O que precisamos neste momento é paz e estabilidade".
Com o BNP controlando pelo menos 212 das 299 cadeiras do Jatiya Sangsad, o Parlamento de Bangladesh, a posse de Rahman como primeiro-ministro é considerada iminente. Seu partido já emitiu comunicado orientando os apoiadores a evitarem celebrações públicas, enquanto aguarda pronunciamento oficial sobre a vitória eleitoral.
Agenda de transformação para Bangladesh
Entre as principais promessas de campanha de Tarique Rahman estão:
- Recalibração da diplomacia bangladense para evitar alinhamento excessivo com uma única potência internacional
- Ampliação da assistência social para famílias pobres
- Redução da dependência econômica das exportações do setor de vestuário
- Introdução de limites de mandatos para primeiros-ministros
Espera-se que sua liderança modifique significativamente o cenário político-econômico de Bangladesh, marcado por intensa instabilidade após os movimentos liderados pela Geração Z. A trajetória de Rahman – de exilado político a provável primeiro-ministro – simboliza uma reviravolta histórica para o país e seu sistema democrático.