A tensão geopolítica nas águas do Atlântico atingiu um novo patamar com a confirmação de que a Rússia enviou um submarino para escoltar um petroleiro que tenta burlar o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos à Venezuela. A informação, revelada pelo jornal americano The Wall Street Journal, mostra uma escalada direta no conflito de interesses entre as potências.
O cerco ao petroleiro e a fuga
O navio-tanque, anteriormente registrado como Bella 1, tornou-se alvo da Guarda Costeira dos Estados Unidos em dezembro de 2025. A perseguição começou após uma tentativa frustrada de abordagem e apreensão, seguindo a ordem do presidente Donald Trump de bloquear a entrada e saída de petróleo sancionado da Venezuela.
Desde então, o petroleiro tem navegado foragido. Para dificultar o rastreamento, o navio alterou seu nome para Marinera e transferiu seu registro para a Rússia, após antes navegar sob bandeira da Guiana. A Guarda Costeira americana manteve a vigilância, seguindo a embarcação até o Atlântico Leste, onde, segundo o site de monitoramento Marine Traffic, navegava a cerca de 480 quilômetros ao sul da Islândia, rumo ao Mar do Norte.
A resposta militar russa e os apelos diplomáticos
Em uma movimentação que eleva o risco de um incidente direto, a Rússia decidiu intervir. Além do submarino, outras embarcações foram enviadas para formar um comboio de proteção ao petroleiro. O governo russo, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, declarou através da agência estatal RIA que monitora a situação "com preocupação".
Mais do que isso, Moscou fez um pedido formal a Washington para que interrompa a perseguição ao navio, conforme relatado pelo Wall Street Journal com base em três autoridades americanas. Este apelo direto coloca os EUA em uma posição delicada, forçando uma decisão entre insistir na aplicação do bloqueio ou evitar uma confrontação militar.
Posicionamento das forças americanas
O Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares na América Latina e Caribe, emitiu uma declaração genérica na rede social X (antigo Twitter). A nota afirmou que a força "continua pronta para apoiar as agências parceiras do governo dos EUA no combate a embarcações e atores sancionados".
Significativamente, o comunicado não fez qualquer menção ao envio do submarino russo ou à reportagem do jornal, indicando uma possível cautela na divulgação de informações ou uma tentativa de não inflamar ainda mais a crise.
Cenário político em evolução
O episódio ocorre em meio a rápidas mudanças no cenário político venezuelano. No mesmo dia da revelação sobre o submarino, 6 de janeiro de 2026, o presidente Trump anunciou um acordo para que empresas americanas refinem e vendam até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam retidos no país devido ao próprio bloqueio.
Este movimento sugere uma coordenação entre Washington e a administração interina de Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas no fim de semana anterior. A crise do petroleiro, portanto, se desenrola em um contexto de transição de poder na Venezuela e de redefinição das relações com os EUA.
Conclusão: Uma crise com múltiplas camadas
A presença de um submarino russo escoltando um petroleiro comercial no Atlântico Norte é um evento raro e de alta tensão. Ele simboliza:
- O desafio direto à política externa americana: A Rússia testa os limites da determinação dos EUA em impor seu bloqueio.
- A internacionalização do conflito venezuelano: A crise interna da Venezuela agora tem atores militares globais em águas distantes.
- O risco de cálculo errado: A proximidade de forças navais de duas potências nucleares em uma missão de perseguição cria um cenário propício a incidentes não planejados.
Enquanto o petroleiro Marinera segue seu curso sob proteção russa e a Guarda Costeira americana mantém a vigilância, o mundo acompanha para ver se a próxima movimentação será diplomática ou militar. A situação permanece fluida e perigosa, com o potencial de redesenhar alianças e disputas de poder no hemisfério.