Rei Charles confirma visita histórica aos Estados Unidos em meio a tensões com Trump
O Palácio de Buckingham anunciou nesta terça-feira, 31 de março de 2026, que o rei Charles III realizará uma visita de Estado aos Estados Unidos no final de abril. A viagem ocorre em um momento de tensões diplomáticas significativas entre Londres e Washington, sendo amplamente interpretada como uma tentativa de reaproximação com o presidente americano Donald Trump.
Visita marca aniversário histórico e busca fortalecer laços
O monarca britânico, que estará acompanhado da rainha Camilla, viajará para os Estados Unidos para marcar os 250 anos da independência americana. Segundo comunicado oficial, o objetivo da visita é "celebrar os laços históricos e as atuais relações bilaterais" entre as duas nações. Esta será a primeira visita de Estado de um monarca britânico aos Estados Unidos desde 2007, quando a rainha Elizabeth II realizou sua última viagem oficial ao país.
Após a passagem pelos Estados Unidos, o casal real seguirá para as Bermudas, representando a primeira visita de Charles a um território britânico ultramarino desde sua coroação em setembro de 2022.
Relação abalada por críticas recentes de Trump
As tensões diplomáticas que envolvem esta visita remontam ao início de março, quando Donald Trump afirmou que é "triste" ver a relação histórica entre Reino Unido e Estados Unidos se deteriorar. A declaração ocorreu após o governo britânico inicialmente não permitir que Washington usasse bases aéreas britânicas para realizar ataques contra o Irã durante a escalada da guerra no Oriente Médio.
"Era a relação mais sólida de todas. E agora temos relações muito fortes com outros países da Europa", afirmou o presidente americano, acrescentando que o laço com o Reino Unido "não é mais como antes".
Embora as forças americanas tenham sido posteriormente autorizadas a utilizar bases britânicas para realizar o que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, chamou de ataques defensivos, Trump continuou criticando o líder britânico. O presidente americano afirmou que Starmer "não era Winston Churchill" e que havia arruinado a aliança historicamente próxima entre os dois países.
Novas declarações polêmicas aumentam tensão
Nesta mesma terça-feira, Trump voltou a mencionar o Reino Unido em declarações polêmicas. Em um post na sua rede social Truth Social, o presidente americano sugeriu que países que não conseguem comprar combustível devem "criar coragem para ir até o estreito e simplesmente tomá-lo".
"Todos aqueles países que não podem obter combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão para vocês", escreveu Trump, propondo que comprem dos Estados Unidos ou mostrem "coragem atrasada" para tomar o combustível.
Críticas internas à visita real
A viagem do rei Charles III aos Estados Unidos enfrenta oposição significativa dentro do próprio Reino Unido. De acordo com pesquisa da YouGov divulgada na última quinta-feira, quase metade dos britânicos (49%) não apoia a visita.
O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, também se opôs à visita de Estado, argumentando que esta honra "não deveria ser concedida a alguém que insulta e prejudica" o Reino Unido "repetidamente".
A presidente da comissão parlamentar de relações exteriores, Emily Thornberry, está entre aqueles que defenderam um adiamento enquanto a guerra no Oriente Médio continua. Alguns deputados expressaram preocupações sobre o risco de constrangimento ao rei caso o presidente dos Estados Unidos mantenha críticas às Forças Armadas britânicas antes ou durante a visita oficial, segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico The Guardian.
Contexto diplomático delicado
A visita ocorre em um momento particularmente delicado nas relações entre os dois países aliados históricos. Especialistas em relações internacionais destacam que:
- A visita marca um aniversário histórico importante para os Estados Unidos
- As tensões diplomáticas recentes criam um ambiente desafiador para a reaproximação
- A oposição interna no Reino Unido reflete divisões sobre como lidar com a administração Trump
- O risco de incidentes diplomáticos durante a visita é considerado significativo
A capacidade do rei Charles de navegar por estas águas diplomáticas turbulentas será testada durante esta visita que, apesar das controvérsias, representa um esforço para manter os laços históricos entre duas das maiores democracias do mundo.



