O Irã enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos, com manifestações contra o aumento do custo de vida e a desvalorização da moeda local se espalhando por 25 das 31 províncias do país. A crise já resultou em um saldo trágico de 45 mortos, incluindo oito crianças, segundo os últimos levantamentos.
O dilema de Khamenei: repressão ou risco de perder o controle
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, se encontra em uma encruzilhada histórica. Especialistas apontam que ele precisa tomar uma decisão crítica diante da escalada dos protestos. "A gente vê o Ali Khamenei numa encruzilhada", analisa o doutor em ciência política Bruno Pasquarelli. "Se ele não usar força letal, ele pode perder o poder de controlar as ruas, como já vem acontecendo nas últimas semanas. E caso ele aumente o seu poderio de força letal contra os manifestantes, pode ser que os Estados Unidos façam uma intervenção".
Enquanto isso, o presidente iraniano fez um apelo público por "máxima moderação" aos grupos manifestantes, defendendo o diálogo e a escuta das reivindicações populares. No entanto, os apelos não foram suficientes para conter a revolta que começou na capital, Teerã, e ganhou força entre civis em diversas regiões.
Ameaça internacional e corte de comunicação
A pressão sobre o regime iraniano não vem apenas das ruas. O cenário internacional se complica com a posição firme dos Estados Unidos. O ex-presidente e atual candidato, Donald Trump, emitiu uma grave ameaça ao governo do Irã, prometendo "intervenções duras" caso as autoridades locais continuem com a violência contra a população que protesta.
O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, expressou solidariedade aos manifestantes iranianos, declarando que "eles estão lutando pelos seus direitos". A postura dos EUA coloca Khamenei em um jogo de pressões duplas, conforme explica Pasquarelli: "Nós temos um governante no Irã que tem que saber lidar com essa pressão doméstica de um lado, aonde ele tem as manifestações, e internacional de outro".
Paralelamente, em uma tentativa de controlar a disseminação de informações e a organização dos protestos, a internet foi cortada em todo o território iraniano, segundo relatos de uma ONG local. A medida radical isola ainda mais o país e dificulta a verificação independente dos eventos.
Consequências e cenários futuros
O especialista em ciência política alerta para os riscos de uma escalada militar. "Caso ele utilize mais os armamentos em massa contra a população, pode haver algum tipo de conflito, de retorno por parte dos Estados Unidos", argumenta. A situação coloca o Oriente Médio em um novo patamar de tensão, com possíveis repercussões globais.
Os protestos, inicialmente motivados pela crise econômica e o colapso da moeda, transformaram-se em um desafio existencial para o regime teocrático. A capacidade do governo em responder às demandas sociais, sem desencadear uma intervenção estrangeira ou perder o controle interno, será testada nos próximos dias.
Os principais pontos da crise são:
- Alto custo humano: 45 mortos confirmados, sendo oito crianças.
- Alcance nacional: Protestos em 25 das 31 províncias iranianas.
- Pressão internacional: Ameaça explícita de intervenção dos EUA.
- Isolamento digital: Corte total da internet no país.
- Dilema do regime: Escolha entre repressão violenta e risco de perder o poder.
O mundo observa com atenção os desdobramentos no Irã, onde o futuro político do país e a estabilidade regional estão em jogo. A encruzilhada de Khamenei pode definir não apenas o destino do seu governo, mas também o equilíbrio de poder em uma das regiões mais voláteis do planeta.