A líder opositora venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, emitiu um comunicado neste sábado, 3 de janeiro de 2026, declarando que "chegou a hora da liberdade" para a Venezuela. A manifestação ocorre após os ataques militares dos Estados Unidos que resultaram na captura do presidente Nicolás Maduro.
Chamado para a transição de poder
Em sua nota, Machado afirmou que Maduro agora enfrenta a justiça internacional por crimes cometidos contra venezuelanos e cidadãos de outras nacionalidades. Ela argumentou que, diante da recusa do líder chavista em aceitar uma saída negociada, o governo norte-americano cumpriu sua promessa de fazer valer a lei.
A opositora foi enfática ao exigir a imediata posse de Edmundo González Urrutia, candidato que, segundo a oposição, venceu as eleições presidenciais contra Maduro. "Ele deve assumir de imediato seu mandato constitucional e ser reconhecido como comandante chefe das Forças Armadas Nacionais", declarou Machado, conclamando a lealdade de todos os militares.
Ela ainda ressaltou que a oposição está preparada para fazer valer seu mandato e tomar o poder, permanecendo vigilante e organizada até que a transição democrática se concretize.
Operação militar e destino de Maduro
Os ataques americanos ocorreram nas primeiras horas do sábado em Caracas e arredores, com alvos também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Relatos indicam explosões sobre a capital e bombardeios em Fuerte Tiuna, a principal base militar da cidade, que ficou sem energia. O Quartel de la Montaña e a Base Aérea de La Carlota também foram atingidos.
Segundo a CNN, Maduro e a primeira-dama, Cília Flores, foram retirados à força de seu quarto por militares americanos. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou não saber o paradeiro do casal e exigiu prova de vida do governo Trump.
Em entrevista à Fox News, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a operação foi "brilhante" e revelou que Maduro está a bordo do navio de guerra americano Iwo Jima, a caminho de Nova York para ser julgado. A secretária de Justiça, Pam Bondi, citou a acusação de 2020 contra Maduro por crimes como conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína.
Contexto de escalada e controvérsia
A ação militar é o ápice de uma escalada de tensão. Em outubro de 2025, Trump revelou ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela. Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles – designado como organização terrorista – e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por sua captura.
O planejamento militar americano incluiu o envio de um porta-aviões, destróieres, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados para o Caribe. Trump justificou as ações como uma guerra legítima contra grupos narcoterroristas.
No entanto, dados da ONU enfraquecem o discurso de combate às drogas. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indica que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, não na Venezuela. Além disso, uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem processo judicial.
María Corina Machado, que ganhou o Nobel da Paz por seu trabalho pela democracia na Venezuela e dedicou o prêmio a Trump, fundou o partido Vente Venezuela em 2013. Seu estilo confrontacional e sua rejeição ao socialismo a diferenciaram de outros líderes oposicionistas. Após ser impedida de concorrer, mobilizou apoio para a candidatura de Edmundo González Urrutia.