Um editorial de peso do jornal americano The New York Times classifica como ilegal e imprudente a ação militar ordenada pelo ex-presidente Donald Trump contra a Venezuela, que terminou com a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. A publicação, datada de 3 de janeiro de 2026, surge horas após a confirmação da operação pelas Forças dos Estados Unidos.
Crítica à escalada militar de Trump
O artigo inicia relembrando a mobilização bélica anterior de Trump contra o país sul-americano. Segundo o texto, o ex-presidente já havia utilizado um porta-aviões, pelo menos sete outros navios de guerra, dezenas de aeronaves e 15 mil soldados americanos para realizar ataques que o periódico considera ilegais, com o pretexto de interceptar pequenas embarcações suspeitas de transportar drogas.
O editorial do New York Times é assinado pelo seu Conselho Editorial, descrito como um grupo de jornalistas de opinião com conhecimento especializado, que atua de forma separada da redação de notícias do jornal.
Contexto sobre Maduro e a justificativa do ataque
Apesar da dura condenação à ação de Trump, o texto não poupa críticas a Nicolás Maduro. O artigo afirma que poucas pessoas sentiriam simpatia pelo líder venezuelano, caracterizando-o como antidemocrático e repressivo.
O texto cita um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que detalharia mais de uma década de violações, incluindo assassinatos, tortura, violência sexual e detenções arbitrárias contra opositores políticos. Além disso, acusa Maduro de ter fraudado as eleições presidenciais da Venezuela em 2024 e de alimentar instabilidade econômica e política na região, contribuindo para um êxodo de quase 8 milhões de migrantes.
A ilegalidade sob a Constituição dos EUA
O cerne da crítica do editorial, no entanto, está na violação da lei americana. O texto argumenta que Donald Trump não ofereceu uma explicação coerente para justificar o ataque à Venezuela, empurrando os Estados Unidos para uma crise internacional sem motivos válidos.
O ponto crucial levantado pelo New York Times é a suposta violação constitucional. O artigo ressalta que, se Trump quisesse argumentar a necessidade da ação, a Constituição dos Estados Unidos define o procedimento correto: recorrer ao Congresso para obter autorização. Sem a aprovação do Congresso, suas ações violam a lei dos EUA, conclui o editorial.
A publicação ilustra a gravidade do momento, marcado pela divulgação, pelo próprio Trump, de uma foto de Nicolás Maduro após sua captura, consolidando um novo e perigoso capítulo nas relações internacionais no Hemisfério Ocidental.