O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, um novo e abrangente pacote de sanções econômicas contra o Irã. A medida tem como alvo autoridades de segurança e redes financeiras do país, acusadas de coordenar uma violenta repressão a protestos pacíficos e de lavar bilhões de dólares provenientes da venda de petróleo.
Alvos e acusações das sanções americanas
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, detalhou as sanções, que foram ordenadas pelo presidente Donald Trump. As medidas congelam quaisquer ativos nos Estados Unidos pertencentes às pessoas e entidades designadas e proíbem cidadãos e empresas americanas de realizar transações com elas. Instituições financeiras estrangeiras também ficam sujeitas a sanções secundárias caso negociem com os sancionados.
Entre os principais nomes listados está Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Washington o acusa de coordenar a repressão e ordenar o uso da força letal contra manifestantes. Além dele, quatro comandantes regionais das Forças da Ordem e da Guarda Revolucionária Iraniana foram sancionados por sua atuação nas províncias de Lorestan e Fars.
O comunicado do Tesouro americano é contundente ao descrever a situação em Fars, afirmando que as forças de segurança "assassinaram inúmeros manifestantes pacíficos", resultando em hospitais tão lotados com vítimas de ferimentos por arma de fogo que não conseguem atender outros pacientes.
Rede de lavagem de dinheiro do petróleo
Para além da repressão interna, as sanções também visam uma complexa operação financeira. O Tesouro identificou dezoito pessoas e entidades acusadas de operar redes que lavam bilhões de dólares das vendas de petróleo iraniano. Essas operações utilizavam empresas de fachada localizadas nos Emirados Árabes Unidos, em Singapura e no Reino Unido.
Esta ação se soma à já intensa campanha de "pressão máxima" da administração Trump contra Teerã. Apenas em 2025, mais de 875 pessoas, embarcações e aeronaves foram sancionadas como parte dessa estratégia.
Tensão militar e debate internacional
O anúncio das sanções ocorre em um momento de extrema tensão. Também nesta quinta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu a pedido dos Estados Unidos para discutir a crise iraniana. Paralelamente, Washington começou a retirar parte de seu pessoal de bases militares no Oriente Médio.
Segundo informações da agência Reuters, a retirada foi motivada por um alerta de Teerã a países vizinhos, indicando que essas instalações poderiam ser alvo de retaliação caso os EUA ordenassem um ataque ao território iraniano. Uma autoridade militar europeia chegou a afirmar que "todos os sinais apontam para a possibilidade de um ataque iminente dos Estados Unidos", mas ponderou que a movimentação também pode ser uma tática para manter adversários em alerta.
Enquanto isso, o presidente Trump, que dias antes falava em "opções muito fortes", adotou publicamente um tom mais cauteloso, declarando uma postura de "esperar para ver". Os protestos no Irã, que representam a maior onda de manifestações anti-governo desde a Revolução de 1979, deixaram um saldo trágico de mais de 3.500 mortos e até 20 mil presos, segundo estimativas, tendo diminuído de intensidade apenas após uma severa repressão e um bloqueio quase total da internet.