O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitiu a pessoas próximas, em conversas privadas, que tem encontrado dificuldades para influenciar as decisões do presidente americano, Donald Trump, em relação ao Irã. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters nesta segunda-feira, 25, enquanto negociadores iranianos e norte-americanos discutem um acordo para encerrar o conflito que já dura quase três meses. Tel Aviv, que tem sido amplamente excluída das tratativas, observa com preocupação os rumos das negociações.
Preocupações israelenses com o acordo
Fontes do governo israelense afirmaram à Reuters que Netanyahu expressou reservas sobre o memorando de entendimento atualmente em negociação. O documento, elaborado com mediação do Paquistão, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã em troca do fim do bloqueio naval americano contra portos iranianos. Além disso, estabelece um cronograma para novas discussões sobre o programa nuclear iraniano. Teerã sinalizou a possibilidade de diluir seu estoque de urânio sob supervisão da ONU, evitando que seja enriquecido para fins bélicos. Para Israel, no entanto, o arranjo é insuficiente, pois o país deseja o desmantelamento total do programa nuclear de seu arqui-inimigo.
Reconhecimento de falta de margem
Apesar das críticas, Netanyahu reconheceu que “não tem margem de manobra para influenciar o presidente (Trump) neste momento”, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters. Os líderes conversaram por telefone ao menos três vezes na última semana, período em que Israel se preparava para retomar ataques aéreos conjuntos contra o Irã, visando sua infraestrutura energética. No entanto, Trump ordenou a suspensão dos novos bombardeios e declarou que Netanyahu “fará tudo o que eu quiser”. As conversas expuseram divergências claras entre os dois sobre o futuro do conflito, conforme apuração da CNN.
Líbano e o momento delicado
Em um dos telefonemas, após Trump realizar uma ligação conjunta com líderes do Golfo, Turquia e Paquistão, Netanyahu afirmou que ambos “concordaram que qualquer acordo final significa desmantelar os locais de enriquecimento nuclear do Irã e remover seu material nuclear enriquecido de seu território”. O premiê também disse que Trump “reafirmou o direito de Israel de se defender contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano”. As forças israelenses e o Hezbollah, aliado do Irã, continuam lutando apesar do cessar-fogo de 16 de abril, firmado após a trégua mais ampla entre EUA e Irã. Soldados israelenses permanecem no sul do Líbano, e há ataques aéreos quase diários, enquanto o Hezbollah dispara drones contra alvos israelenses. A exigência de Netanyahu de continuar operações em “todas as frentes” pode inviabilizar um acordo, caso o Irã insista em incluir o Líbano no memorando. Por outro lado, um eventual acordo ocorreria em momento delicado para Netanyahu, às vésperas de uma eleição nacional que ele pode perder. Seus oponentes criticam-no por não ter alcançado os objetivos declarados na guerra contra o Irã.



