O Brasil figura como o quarto país mais polarizado do mundo, de acordo com um ranking elaborado pela Our World in Data que avaliou 171 nações. Os dados, referentes a 2025, revelam um crescimento preocupante da divisão ideológica, que afeta diretamente relacionamentos e interações sociais que antes eram consideradas saudáveis.
Segundo a entidade, conhecida por monitorar a pandemia de Covid-19 globalmente, os brasileiros estão atrás apenas de Mianmar, que enfrenta acusações internacionais por perseguição a minorias étnicas, e de Turquia e Polônia, cujos governos de direita recentes geraram protestos, ataques à imprensa e teorias conspiratórias.
Comparação com a ditadura militar
O levantamento aponta que a polarização brasileira se assemelha aos níveis registrados durante a ditadura militar, quando dissidentes políticos eram perseguidos e a sociedade se dividia entre "nós" e "eles". Em 1964, ano do golpe, o índice de polarização era de 3,23 pontos. Em 2025, o patamar chegou a 3,22 pontos, em uma escala onde valores próximos a zero indicam baixa polarização.
Polarização no futebol
A divisão ideológica se manifesta até mesmo no esporte. A convocação do atacante Neymar Jr., do Santos, para a Copa do Mundo gerou reações divididas entre bolsonaristas e lulistas. Declaradamente apoiador de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, Neymar provocou debates que misturaram esporte e política.
Horas antes do anúncio oficial, o PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, publicou em redes sociais que "Flávio é Neymar" e "Neymar é Flávio". Após a confirmação, Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro associaram o jogador à eleição presidencial. Eduardo escreveu: "A alegria venceu a perseguição. Em outubro ocorrerá de novo", acusando o presidente Lula de ter pressionado o técnico Ancelotti para não convocar Neymar.
Comparação internacional
Os Estados Unidos, sob o controverso governo de Donald Trump, aparecem na 16ª posição. Pesquisas do Public Religion Research Institute indicam que 20% dos americanos acreditam que "verdadeiros patriotas" podem recorrer à violência para salvar o país. Na Argentina de Javier Milei, o índice de polarização é de 1,90 pontos. A média mundial é de 0,29 ponto, enquanto na América do Sul a média é de 0,80 ponto.
Países com baixa polarização, como Uruguai (-1,81 pontos) e Irlanda (-2,49 pontos), adotaram medidas como regulação de redes sociais, combate a fake news e rejeição a populistas, segundo especialistas. No entanto, a solução não é simples nem imediata, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais brasileiras.



