Navio francês desafia bloqueio iraniano e cruza o Estreito de Ormuz em travessia histórica
Um navio porta-contêineres de propriedade francesa atravessou o Estreito de Ormuz, desafiando o bloqueio imposto pelo Irã em meio à guerra contra Israel e Estados Unidos. A embarcação Kribi, de bandeira de Malta e pertencente ao grupo francês CMA CGM, deixou o Golfo na quinta-feira, 2 de abril de 2026, e seguiu em direção ao mar aberto, conforme dados de rastreamento marítimo divulgados na sexta-feira, 3.
Essa é considerada a primeira travessia feita por um grande grupo europeu desde o início de março, quando ataques iranianos a navios na região, em resposta a bombardeios dos Estados Unidos e de Israel, reduziram a quase zero o fluxo pelo estreito. Na manhã desta sexta, o navio estava próximo a Mascate, em Omã, ainda exibindo no sistema de identificação a mensagem "proprietário: França", em um campo normalmente usado para indicar o destino.
Nova rota "Pedágio de Teerã" e divergências internacionais
Dados de navegação indicam que a embarcação francesa utilizou uma nova rota autorizada pelo Irã dentro de suas águas territoriais, apelidada de "Pedágio de Teerã". Segundo a principal revista de transporte Lloyd's List, ao menos dois navios já pagaram para utilizar esse corredor nas proximidades da ilha de Larak, na costa iraniana. Há três dias, o parlamento iraniano aprovou planos para introduzir uma taxa de cerca de US$ 2 milhões para uma espécie de escolta e segurança nessa passagem.
Também na quinta-feira, uma coalizão de 40 países pediu a "reabertura imediata e incondicional" do Estreito de Ormuz. A manifestação foi feita após uma cúpula virtual organizada pelo Reino Unido para discutir a melhor forma de desobstruir a rota, fundamental para o comércio de petróleo global. "O Irã está tentando manter a economia global refém no Estreito de Ormuz. Eles não devem prevalecer", disse a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.
Divergências entre EUA e França sobre resposta militar
A mobilização ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que os países que não estão conseguindo comprar combustível devido ao fechamento do estreito pelo Irã devem comprar do governo americano ou "criar coragem para ir até o estreito e simplesmente tomá-lo". O comentário provocou reações adversas de nações historicamente alinhadas com os Estados Unidos, como a França.
Segundo o presidente Emmanuel Macron, uma operação militar para desobstruir o bloqueio é "irrealista" e "nunca foi a opção escolhida". "Levaria uma eternidade e exporia todos aqueles que atravessam aos riscos da Guarda Revolucionária Islâmica e de mísseis balísticos", disse o líder francês.
Em tempos normais, cerca de 20% do petróleo e do gás natural do mundo passam pelo Estreito de Ormuz, um dos principais pontos estratégicos do comércio global de energia. A travessia do navio francês marca um momento crucial na crise, destacando as tensões geopolíticas e os desafios logísticos enfrentados pela comunidade internacional.



