O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou com entusiasmo a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A confirmação veio nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que anunciou o aval por ampla maioria dos países do bloco europeu.
Uma vitória da negociação e do diálogo
Através de suas redes sociais, o presidente brasileiro classificou o momento como "uma vitória do diálogo". Lula enfatizou que o sucesso é fruto da persistência nas negociações e de uma aposta firme na cooperação entre países e blocos econômicos.
O mandatário destacou que o tratado vai além dos benefícios econômicos diretos para as partes envolvidas. Para ele, o acordo serve como um importante sinal em favor do comércio internacional, em um contexto global que frequentemente enfrenta tensões protecionistas.
Um longo caminho de 25 anos até a conclusão
Lula ressaltou que a data marca um "dia histórico para o multilateralismo". O presidente lembrou a extensa jornada de negociações, que se estendeu por um quarto de século, até a finalização de um dos maiores tratados de livre-comércio do planeta.
O acordo une dois gigantes econômicos. Juntos, o Mercosul e a União Europeia representam um mercado de 718 milhões de pessoas e somam um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de impressionantes US$ 22,4 trilhões.
Em sua fala, Lula fez questão de explicar o conceito de multilateralismo, prática que ele defende. Trata-se da cooperação entre múltiplas nações para buscar interesses comuns, em oposição ao unilateralismo (ação isolada de um país) e diferente do bilateralismo (acordo entre apenas dois Estados).
Próximos passos e ratificação do acordo
Com a decisão confirmada pelo lado europeu, os holofotes se voltam para os próximos passos formais. A presidente Ursula von der Leyen deve viajar ao Paraguai já na próxima semana. O objetivo da visita é ratificar o acerto com os países-membros do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Cada nação do Mercosul terá agora a tarefa de submeter o documento final à aprovação de seus respectivos parlamentos. Um aspecto importante do tratado é que sua entrada em vigor não depende da aprovação simultânea pelos quatro congressos nacionais. Cada país pode implementar o acordo individualmente após a ratificação interna.
A aprovação europeia superou resistências internas, incluindo protestos de agricultores e críticas de governos como o da França. A decisão, tomada por maioria qualificada, encerra semanas de tensão política e anos de um complexo processo negociador, abrindo caminho definitivo para a assinatura deste tratado histórico.