Guerra no Oriente Médio leva a maior liberação de reservas de petróleo da história
A escalada do conflito no Oriente Médio forçou a Agência Internacional de Energia (AIE) a tomar uma medida sem precedentes: anunciar a maior liberação de reservas de petróleo de sua história para conter a alta dos preços globais. A decisão unânime dos 32 países-membros ocorre em meio a uma série de ataques a navios no estratégico Estreito de Ormuz, que já reduziram drasticamente o tráfego marítimo e ameaçam a estabilidade do mercado energético mundial.
Ataques no Estreito de Ormuz disparam alarmes internacionais
Nesta quarta-feira (11), o cenário de tensão se intensificou com o ataque a três navios cargueiros no Estreito de Ormuz, um braço de mar crucial por onde transitam aproximadamente 20% de todo o petróleo produzido no planeta. Um navio tailandês foi incendiado, resultando em três tripulantes desaparecidos, enquanto embarcações japonesa e das Ilhas Marshall sofreram danos menores. O Irã assumiu a responsabilidade pelo ataque ao navio tailandês, alegando que a embarcação ignorou avisos, mas não se pronunciou sobre os outros incidentes.
Desde o início do conflito, pelo menos 13 embarcações foram atingidas na região, com Teerã ameaçando incendiar qualquer navio que tentasse passar pelo estreito como retaliação a ações dos Estados Unidos e Israel. A situação se agravou com drones atingindo tanques de combustível no porto de Omã, provocando uma forte reação do sultão em telefonema ao presidente iraniano. Esses eventos ocorreram um dia após os Estados Unidos anunciarem o bombardeio de 16 barcos iranianos lançadores de minas, com o presidente Donald Trump posteriormente afirmando que foram 28.
Impacto direto na produção e nos preços do petróleo
Os ataques sucessivos causaram uma redução brusca no tráfego de navios de petróleo, gás e mercadorias, levando países do Golfo a reduzirem a produção em cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto por dia, devido à dificuldade de escoamento. Em tom de bravata, o porta-voz das forças armadas do Irã ameaçou: “Preparem-se para o barril de petróleo a US$ 200. O preço depende do nível de segurança na região e a fonte dessa insegurança são vocês”, referindo-se aos Estados Unidos e Israel.
O preço do barril de petróleo tem variado intensamente com as notícias da guerra. No início da semana, aproximou-se de US$ 120, marca não vista desde 2022 com o início da guerra na Ucrânia, e registrou a maior queda diária em quatro anos após sinais de Trump sobre um possível fim do conflito. Nesta quarta-feira (11), às 17h, o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, subia 5,5%, sendo vendido a mais de US$ 92.
Resposta da Agência Internacional de Energia
Para evitar uma disparada nos preços, a AIE decidiu disponibilizar 400 milhões de barris de suas reservas de emergência, equivalente a cerca de 20 dias de fluxo no Estreito de Ormuz. Fatih Birol, diretor da agência, declarou que o mercado está “enfrentando desafios em uma escala sem precedentes”, embora não tenha detalhado o ritmo de chegada dessas reservas ao mercado. Esta é a maior ação do tipo na história da agência, que inclui os Estados Unidos entre seus membros.
A medida reflete a gravidade da situação, com o estreito virtualmente descartado como rota segura, exacerbando a instabilidade no fornecimento global de petróleo. A comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos, enquanto os efeitos da guerra continuam a reverberar nos mercados energéticos e na geopolítica mundial.



