Maria Corina Machado mobiliza diáspora venezuelana em Madri por retorno e reconstrução
A líder opositora venezuelana María Corina Machado reuniu milhares de apoiadores neste sábado (18) na Puerta del Sol, em Madri, em um ato marcante que simbolizou a mobilização da diáspora para o "dia do reencontro e da reconstrução" da Venezuela. Em seu discurso, Machado adotou um tom de esperança e ação, declarando à multidão entusiasta: "Aqui estamos iniciando o retorno para casa".
Discurso enfatiza preparação após décadas de chavismo
No comício, que foi o ponto alto de sua visita à Espanha após anos sem sair do país, Machado afirmou que os 27 anos de chavismo — englobando os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro — representaram uma fase de preparação para um novo momento político. "Tudo o que fizemos durante estes longos 27 anos foi nos preparar para um momento de reencontro e de construção de uma nação que será livre para sempre", disse ela, incentivando os venezuelanos no exterior a se organizarem para um eventual retorno.
Espanha como símbolo da diáspora venezuelana
A escolha de Madri para o ato tem peso significativo, pois a Espanha abriga uma das maiores comunidades venezuelanas no mundo, com aproximadamente 700 mil cidadãos vivendo em seu território. Entre os presentes, como Dayanna Padrino, de 37 anos, o clima era de expectativa otimista. "O processo de volta ao país já é irreversível", afirmou Padrino, expressando esperança na reconstrução das condições de vida anteriores à crise.
Críticas a governos e defesa de alianças internacionais
Durante sua visita, Machado também participou de uma coletiva de imprensa, onde:
- Defendeu seu gesto de presentear seu Prêmio Nobel da Paz ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando não se arrepender e destacando-o como único líder que "colocou em risco cidadãos de seu próprio país em nome da liberdade da Venezuela".
- Criticou o presidente colombiano Gustavo Petro por propor um governo de concentração na Venezuela, acusando a ideia de tentar impedir avanços eleitorais.
- Atacou o governo interino de Delcy Rodríguez, classificando-o como representante do "caos", "violência" e "terror".
Coordenação com Washington e tensões políticas na Espanha
Machado revelou que discute seu retorno à Venezuela em coordenação com o governo americano, descrevendo o processo como baseado em "respeito mútuo e entendimento". Sua agenda na Espanha foi marcada por tensões, incluindo a recusa de um encontro com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, optando por reuniões com aliados da direita espanhola, como a líder regional Isabel Díaz Ayuso.
O evento reforçou o papel de Machado como figura central na oposição venezuelana, mobilizando a diáspora para um futuro de mudança política e reconstrução nacional.



