O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, neste sábado, 3 de janeiro de 2026, uma forte crítica aos recentes ataques dos Estados Unidos que resultaram na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. No entanto, a posição de defesa da soberania da Venezuela e o alerta contra uma intervenção armada são discursos que Lula vem construindo publicamente há vários meses.
Defesa histórica da soberania venezuelana
Em outubro, durante a Cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu, o mandatário brasileiro já havia feito um pronunciamento contundente. Lula classificou uma possível intervenção armada na Venezuela como uma "catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo". Ele destacou que, passadas mais de quatro décadas da Guerra das Malvinas, a presença militar de uma potência de fora da região voltava a assombrar a América do Sul.
Em outro momento, sem citar nominalmente o presidente norte-americano Donald Trump, Lula foi enfático ao defender a autodeterminação do povo venezuelano. "O que defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino, e não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite", afirmou o petista durante um evento do PCdoB, em Brasília. Ele reforçou que Brasil e Venezuela são nações distintas, com destinos próprios.
Ofensiva diplomática: a mediação oferecida a Trump
Além dos discursos públicos, Lula partiu para a ação diplomática direta. Em um encontro com Donald Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, o presidente brasileiro se ofereceu para atuar como mediador no diálogo entre Washington e Caracas. O chanceler Mauro Vieira relatou na época que Lula apresentou a América do Sul como uma região de paz e se prontificou a ser um interlocutor, retomando um papel de facilitador que já exerceu no passado.
Segundo Vieira, o objetivo da mediação proposta era buscar soluções mutuamente aceitáveis e corretas para ambos os países em conflito. A iniciativa reforça a tradição da diplomacia brasileira em buscar caminhos pacíficos para crises internacionais, especialmente no seu entorno geopolítico.
Repercussão e posicionamento contínuo
A crítica feita por Lula neste sábado, portanto, não é um posicionamento isolado, mas sim o ápice de uma narrativa construída ao longo do tempo. A defesa intransigente da não-intervenção e da soberania nacional aparece como um pilar da política externa do governo. O presidente insiste que qualquer solução para a crise venezuelana deve passar pelo seu povo, sem interferências externas que possam escalar para um conflito de proporções imprevisíveis.
As ações e falas do presidente brasileiro nos últimos meses delineiam uma estratégia clara:
- Alertar a comunidade internacional sobre os riscos de uma escalada militar.
- Defender o princípio da autodeterminação dos povos como base do direito internacional.
- Oferecer os bons ofícios do Brasil como nação mediadora e promotora da paz na região.
O desfecho dos recentes ataques e a captura de Maduro colocam à prova essa postura diplomática e devem definir os próximos capítulos do envolvimento brasileiro na complexa crise venezuelana.