Lula critica Trump e ONU por priorizar guerras em vez de combater a fome mundial
Lula critica Trump e ONU por priorizar guerras em vez de fome

Presidente brasileiro faz duras críticas a líder norte-americano e estrutura das Nações Unidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou críticas contundentes ao chefe do Poder Executivo dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a abertura da 39ª Conferência Regional da FAO para América Latina e Caribe, realizada nesta quarta-feira, 4 de março de 2026. O discurso ocorreu em meio aos recentes bombardeios em território iraniano e libanês, com o petista afirmando que a Organização das Nações Unidas (ONU) está cedendo "aos senhores da guerra" e abandonando seus princípios fundacionais estabelecidos em 1945.

Crítica à proposta de reconstrução de Gaza como "resort para milionários"

Em um dos momentos mais impactantes de sua fala, Lula criticou indiretamente o Conselho da Paz proposto por Trump, que incluiria participação brasileira para reconstrução da Faixa de Gaza. O Brasil ainda não aceitou o convite e considera a ideia natimorta. O presidente questionou a lógica por trás da destruição seguida de reconstrução luxuosa:

"Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres, que mataram, e crianças, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer, 'vamos reconstruir Gaza'? Aí aparece como se fosse, sabe, um resort, para milionário passar as férias no lugar em que estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram", declarou Lula com veemência.

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Questionamentos sobre prioridades globais e fome mundial

Como o evento tratava especificamente da discussão sobre fome no mundo, o presidente brasileiro direcionou suas críticas à opção bélica de Trump, contrastando-a com necessidades humanitárias básicas:

"Vocês acham normal o presidente Trump, todo dia, ficar dizendo: eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo. Por que ele não fala: eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo? Eu tenho como distribuir alimento", questionou Lula.

O petista continuou sua argumentação, conectando a invisibilidade dos pobres às estruturas burocráticas globais: "A questão da fome está ligada ao fato de que os pobres do mundo são invisíveis ao olhar das máquinas burocráticas e dos chefes de Estado desse mundo. Enquanto a gente não torná-los visíveis, a gente vai continuar brigando, lutando e gritando."

Críticas à atuação da ONU e guerra na Ucrânia

Lula também abordou a guerra na Ucrânia, que completou quatro anos em 26 de fevereiro, expressando frustração com a lentidão das ações diplomáticas:

"Porque a ONU está ficando desacreditada. A ONU não está cumprindo aquilo que está escrito na sua Carta da Criação em 1945. A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras. E não tem espaço para os senhores da paz", afirmou.

O presidente questionou a demora na resolução do conflito: "Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos, quando todo mundo já sabe o que vai dar naquela guerra? Quem é que não sabe o que vai acontecer naquela guerra? O Putin vai ficar com o que já conquistou. O Zelensky vai se contentar com o que perdeu, e vai ter um acordo. Se é isso, por que não fazem logo?"

Apelo por redirecionamento de recursos bélicos para alimentação

Lula citou especificamente o Conselho de Segurança da ONU, formado pelos membros permanentes França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos, defendendo uma revisão completa de prioridades:

"Se esses senhores que coordenam o Conselho de Segurança como membro permanente da ONU se preocupassem com essa questão da fome nesse instante e ao invés de ficar discutindo, como agora está se discutindo na Europa o fortalecimento do armamento dos países, investimento na defesa", argumentou.

O presidente brasileiro apresentou cálculos concretos sobre o desperdício de recursos: "Se nós pegássemos o dinheiro e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que passam fome, daria para a gente ter distribuído 4285 dólares para cada pessoa", referindo-se aos 2,7 trilhões de dólares gastos anualmente com armamentos em conflitos globais.

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Lula finalizou sua intervenção com um apelo por ação concreta, defendendo que a comunidade internacional precisa gritar, falar e se mexer para que mudanças reais ocorram na distribuição de recursos e prioridades globais.