Uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em solo venezuelano, no último sábado (3), gerou forte reação de autoridades políticas do estado do Ceará. O ataque, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, foi classificado como uma grave violação ao direito internacional e uma ameaça direta à soberania da Venezuela, com potenciais impactos para toda a América Latina.
Condenação unânime no Ceará
O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, foi um dos primeiros a se manifestar. Ele afirmou que a ofensiva representa um precedente perigoso de interferência estrangeira e exige uma resposta imediata da comunidade internacional, por meio das Nações Unidas. "O ataque à soberania da Venezuela representa uma grave violação ao direito internacional, ameaçando a paz e os esforços para a estabilidade política nos países da América Latina", declarou Leitão.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, também condenou a ação e destacou os riscos de uma escalada de conflitos. Para ele, ataques entre nações enfraquecem as normas internacionais e ampliam cenários de guerra e sofrimento. "Que a ONU encontre o melhor caminho para responder e mediar essa situação em solo venezuelano. O diálogo e a paz devem prevalecer, sempre!", afirmou o governador.
Críticas aos líderes e alerta para a região
O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri, posicionou-se de forma crítica ao ataque e fez duras declarações sobre os envolvidos. "Maduro é um ditador. E todo ditador é um criminoso. Trump é um autoritário. E todo autoritário não merece meu respeito. Ambos não pensam no povo venezuelano", afirmou.
Aldigueri demonstrou preocupação com os efeitos do conflito para a América Latina e alertou para possíveis novas intervenções estrangeiras na região. "Nada garante que Trump vai parar por aí. Da mesma forma que invadiu um país pelo petróleo, pode invadir outro pelas riquezas amazônicas", completou, defendendo que o Brasil exerça sua liderança para fazer prevalecer a diplomacia.
O presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Leo Couto, reforçou a necessidade de atuação urgente da ONU. "É fundamental que a ONU atue com urgência para promover o diálogo e assegurar a estabilidade política na América Latina", declarou.
Os detalhes da operação e suas consequências
A operação, batizada de Operação Absolute Resolve, foi autorizada pelo então presidente americano Donald Trump quatro dias antes de sua execução. Maduro e Cilia Flores foram capturados por forças americanas, levados de helicóptero para o navio anfíbio USS Iwo Jima, no Caribe, e depois encaminhados aos Estados Unidos. O casal ficará detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn e responderá a processo em Nova York.
Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem administrar a Venezuela de forma interina até uma transição de poder "justa e legal", descartando a líder da oposição Maria Corina Machado. No entanto, seguindo a Constituição venezuelana, o Tribunal Supremo de Justiça do país determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse interinamente a Presidência para garantir a continuidade administrativa.
A ação militar dos EUA, portanto, não apenas desencadeou uma crise política e jurídica na Venezuela, mas também acendeu um sinal de alerta entre líderes brasileiros, especialmente no Nordeste, que veem na intervenção uma ameaça à estabilidade e à autodeterminação dos povos da América Latina.