O presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Mike Johnson, foi forçado a realizar uma manobra parlamentar para evitar que o governo sofresse uma grave derrota e visse aprovada uma lei que restringiria os poderes de guerra de Donald Trump. A votação, que estava marcada para ocorrer nesta quinta-feira (21), representaria a quarta tentativa do Partido Democrata de aprovar uma medida que obrigue Trump a solicitar autorização do Congresso para continuar a guerra no Irã. Johnson suspendeu a deliberação quando ficou evidente que não teria votos suficientes para barrá-la. Com isso, o aliado de Trump ganhou tempo para o presidente — graças ao feriado prolongado do Memorial Day nos EUA, o Congresso entra em recesso nesta quinta e só retorna no dia 1º de junho.
Rebelião republicana ameaça Trump
Entretanto, membros do Partido Republicano que se rebelaram contra Trump e se opõem à guerra disseram ao jornal The New York Times que, da próxima vez que a medida for ao plenário, será aprovada. Se isso ocorrer, a lei ainda precisará passar pelo Senado, também controlado pelos republicanos, antes de ir à sanção presidencial, quando certamente será vetada. Em seguida, os deputados e senadores precisariam derrubar o veto por uma maioria de dois terços em sessão conjunta, algo que, por enquanto, é bastante improvável. Ainda assim, o descontentamento com o presidente entre a base republicana cresce.
Na terça-feira (19), o Senado americano avançou uma lei semelhante à da Câmara, conseguindo superar o número de votos necessário graças à rebelião de um único senador republicano, Bill Cassidy, da Louisiana. No domingo (17), Cassidy foi derrotado nas primárias por um candidato apoiado por Trump e terá que deixar a Casa no ano que vem.
Aprovação de Trump em queda
Trump enfrenta hoje seus piores números de aprovação em meio a uma guerra impopular que ameaça aumentar os preços nos EUA e no mundo e pode resultar em um desastre eleitoral em novembro, quando os americanos renovam a Câmara e dois terços do Senado nas eleições de meio de mandato. Os democratas pretendem se aproveitar do mau momento do governo. Membros da oposição vêm acusando repetidamente o presidente de iniciar o conflito de maneira ilegal, uma vez que a Constituição americana dá apenas ao Legislativo o poder de declarar guerra.
A Casa Branca argumentou inicialmente que o conflito não se tratava de uma guerra aberta e, portanto, não necessitaria de aprovação do Congresso. Depois, disse se basear em uma cláusula regimental segundo a qual o presidente tem 60 dias para buscar apoio do Legislativo a fim de conduzir uma guerra. Quando esse prazo se esgotou, o Executivo passou a dizer que, com o cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã desde o dia 8 de abril, o prazo de 60 dias estava congelado.
Projeto de deportação também enfrenta resistência
Em mais um sinal de que seu controle sobre o partido não é absoluto, Trump viu nesta quinta congressistas republicanos abandonarem os planos de votar um projeto de US$ 72 bilhões (R$ 360 bilhões) destinado a financiar a política de deportação em massa do governo. O movimento foi uma resposta às exigências do presidente relacionadas a gastos considerados controversos até mesmo por seus correligionários, como a criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar supostas vítimas da "instrumentalização política" do governo e outro de US$ 1 bilhão para a construção do novo salão de festas da Casa Branca.
O fundo de instrumentalização pode beneficiar aliados de Trump e pessoas condenadas pelos ataques ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, quando uma turba apoiada pelo então presidente em seu primeiro mandato invadiu o Congresso para tentar impedir a certificação da vitória do democrata Joe Biden.
Leia Também: Hematomas e fraturas: ativistas da flotilha falam em tortura em Israel



