Bebê recém-nascido resgatado em parede morre por hipotermia e traumatismo
Bebê resgatado em parede morre por hipotermia e traumatismo

O recém-nascido encontrado abandonado entre duas residências no distrito de Cupissura, em Caaporã, no Litoral Sul da Paraíba, na terça-feira (19), teve a causa da morte divulgada nesta sexta-feira (22) pelo Instituto de Medicina Legal (IML). A autópsia apontou que o bebê faleceu devido a hipotermia, traumatismo crânio-encefálico e prematuridade.

Investigação e autópsia

Apesar do resultado da autópsia, o corpo do recém-nascido permanece sob custódia do Instituto de Polícia Científica (IPC) para a realização de exames complementares que possam auxiliar nas investigações. A Polícia Civil confirmou que o caso é tratado como infanticídio. A mãe, uma adolescente de 17 anos, foi levada para uma instituição socioeducativa em João Pessoa após receber atendimento no Instituto Cândida Vargas.

Depoimento da mãe

Em depoimento à polícia, a jovem relatou que escondeu a gravidez da família e do namorado por medo da reação dos pais. Ela confessou que tomava chás na tentativa de abortar o bebê. Na madrugada de terça-feira, sentiu fortes dores e deu à luz sozinha no banheiro da residência. Em seguida, enrolou o recém-nascido e o abandonou no local onde foi encontrado pela manhã.

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Resgate do bebê

Moradores do distrito de Cupissura ouviram barulhos vindos de uma parede e inicialmente pensaram tratar-se de um animal. Ao verificar, encontraram o bebê e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O coordenador do Samu de Caaporã, Janyo Carvalho, informou que o recém-nascido foi resgatado com vida e ainda estava com a placenta. Ele era prematuro e apresentava hipotermia grave, arranhões pelo corpo e trauma no tórax.

Atendimento médico

O bebê foi encaminhado ao Hospital Municipal de Alhandra para procedimentos emergenciais e, em seguida, transferido de helicóptero para o Hospital de Trauma de João Pessoa e depois para o Hospital Edson Ramalho. De acordo com o hospital, o bebê tinha um ferimento corto-contuso na região frontal da cabeça, que foi suturado, mas ele já havia perdido grande quantidade de sangue.

O diretor-geral do Hospital Edson Ramalho, Aluízio Lopes, afirmou que o recém-nascido sofreu nove paradas cardiorrespiratórias durante o atendimento. “Paciente gravíssimo desde a hora que chegou. Quando se conseguiu controlar minimamente e observar mais o bebê, foi constatado que se tratava de um recém-nascido compatível com 30 semanas de nascido. Só por isso, já se tratava de um paciente grave e que já estava em risco de morte, além de que já estava politraumatizado. Houve nove paradas cardíacas. Tudo que era possível na medicina foi feito para salvar a vida desse paciente, mas, por todo esse contexto, infelizmente o bebê veio a óbito”, disse.

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