Irã inicia negociações nucleares 'equitativas' com EUA após ameaças de Trump
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, que ordenou ao chanceler Abbas Araghchi o início de negociações nucleares 'equitativas' com os Estados Unidos. Esta decisão ocorre após o presidente americano Donald Trump advertir que 'coisas ruins' podem acontecer se não houver um acordo entre os dois países.
Reunião mediada por países árabes na Turquia
Uma fonte árabe, sob condição de anonimato, informou à AFP que uma reunião entre Irã e EUA pode acontecer em 6 de fevereiro na Turquia. O provável encontro é resultado das gestões de Egito, Catar, Turquia e Omã, que atuam como mediadores na troca de mensagens entre as nações.
Em um post na rede social X, Pezeshkian escreveu: 'Instruí meu ministro das Relações Exteriores a, desde que exista um ambiente adequado — livre de ameaças e expectativas não razoáveis —, prosseguir com negociações justas e equitativas'. Esta declaração reflete a busca do Irã por um diálogo que respeite seus direitos, enquanto enfrenta pressões internas e internacionais.
Contexto de tensões e ameaças
A pressão sobre Teerã intensificou-se desde o início de janeiro, após a repressão feroz aos protestos que sacudiram o país. Inicialmente focados no custo de vida, os protestos derivaram em um movimento contra o regime teocrático iraniano. Enquanto isso, Trump afirmou no domingo que esperava 'alcançar um acordo' com o Irã, mas na segunda-feira advertiu: 'Se isso não for possível, provavelmente irão acontecer coisas ruins'.
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, negou ter recebido um ultimato de Trump, destacando que o Irã 'nunca aceita ultimatos'. No entanto, os países ocidentais suspeitam que a República Islâmica pretende desenvolver armamento atômico, algo que Teerã nega veementemente.
Desafios nas negociações nucleares
As partes já negociaram no ano passado, antes da guerra de 12 dias desencadeada por Israel em junho, mas as conversações fracassaram. O principal ponto de discórdia é o enriquecimento de urânio. Os EUA exigem que o Irã renuncie completamente a essa atividade, enquanto Teerã insiste em seu direito, com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário.
Abbas Araghchi afirmou ao canal CNN: 'O presidente Trump diz 'não às armas nucleares' e estamos totalmente de acordo com esse ponto [...] Claro, em troca, esperamos uma suspensão das sanções'. O Irã assinou um acordo nuclear em 2015, que perdeu efeito após a retirada unilateral dos EUA ordenada por Trump durante seu primeiro mandato.
Protestos e repressão interna
Nas ruas de Teerã, cidadãos expressam frustração. Ali Hamidi, um aposentado de 68 anos, considera 'inúteis' as tensões atuais, criticando tanto os EUA quanto os dirigentes iranianos por não atenderem às necessidades do povo. Enquanto isso, a repressão continua: a televisão estatal informou a detenção de quatro cidadãos estrangeiros por participação nos distúrbios.
Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), mais de 42.000 pessoas foram detidas durante os protestos, com 6.854 mortes. As autoridades iranianas reconhecem milhares de mortes, mas atribuem a maioria a agentes de segurança ou transeuntes assassinados por 'terroristas', alegando que a onda de protestos foi orquestrada por Estados Unidos e Israel.
Sanções e respostas internacionais
O governo britânico anunciou a imposição de sanções contra dez autoridades iranianas, incluindo o ministro do Interior. Além disso, Teerã convocou os embaixadores europeus após a União Europeia designar a Guarda Revolucionária como 'organização terrorista'. Essas medidas aumentam a complexidade do cenário diplomático, enquanto o Irã busca uma solução negociada para suspender as sanções e normalizar suas relações internacionais.
As negociações nucleares entre Irã e EUA representam um momento crítico, com implicações para a estabilidade regional e global. A mediação de países árabes e a disposição de diálogo, apesar das ameaças, sugerem uma janela de oportunidade, mas os desafios históricos e políticos permanecem significativos.