Sindicatos argentinos convocam greve geral contra reforma trabalhista de Milei
Greve geral na Argentina contra reforma trabalhista de Milei

Sindicatos argentinos convocam greve geral contra reforma trabalhista de Milei

A maior central sindical da Argentina decidiu convocar uma paralisação nacional para coincidir com a votação, na Câmara dos Deputados, do pacote de mudanças nas leis trabalhistas proposto pelo presidente Javier Milei. A mobilização deve afetar transportes terrestres, voos e navegação fluvial, segundo anunciaram entidades do setor, ampliando as tensões no país.

Projeto polêmico avança no Congresso

O projeto, que já recebeu aval do Senado e aguarda análise dos deputados nos próximos dias, altera pontos centrais da legislação trabalhista argentina. Entre as medidas estão:

  • Redução dos valores pagos em demissões sem justa causa
  • Possibilidade de quitação de verbas em dinheiro vivo
  • Ampliação da jornada diária para até 12 horas
  • Limitação do direito de greve em determinados serviços

A convocação partiu da principal central operária do país, que classifica a proposta como um retrocesso nas garantias históricas dos trabalhadores. Dirigentes sindicais afirmam que a reforma fragiliza a proteção contra dispensas e enfraquece o poder de negociação coletiva em um cenário já marcado por inflação elevada e perda do poder de compra.

Confronto entre ajuste liberal e tradição sindical

A ofensiva de Milei na área trabalhista integra um pacote mais amplo de reformas estruturais com o qual o governo pretende flexibilizar regras, reduzir custos para empresas e estimular a atividade econômica. Desde que assumiu a Presidência, o mandatário tem defendido a necessidade de “modernizar” o mercado de trabalho para atrair investimentos e ampliar a competitividade.

Economistas alinhados ao governo argumentam que o sistema atual encarece contratações formais e incentiva a informalidade. Já especialistas críticos, ouvidos por veículos como La Nación e Clarín, apontam que mudanças abruptas podem ampliar a precarização em um país que enfrenta dificuldades para retomar o crescimento sustentado.

A Argentina convive há anos com inflação crônica, desequilíbrios fiscais e sucessivas renegociações com o Fundo Monetário Internacional. Nesse contexto, reformas pró-mercado costumam encontrar forte resistência de sindicatos historicamente influentes, muitos deles vinculados ao peronismo.

Impacto no transporte e risco de paralisação ampla

A confederação que reúne trabalhadores do transporte confirmou adesão ao movimento e prometeu suspender serviços rodoviários, ferroviários, aéreos e fluviais no dia da votação. Caso a paralisação se concretize com ampla adesão, a greve poderá afetar cadeias de abastecimento e deslocamentos em grandes centros como Buenos Aires, Córdoba e Rosário.

Nos últimos meses, protestos contra medidas de ajuste fiscal já haviam levado milhares às ruas da capital argentina. A nova convocação sinaliza que o embate entre governo e movimento sindical tende a se intensificar à medida que o Congresso avance na tramitação do texto.

A expectativa agora se concentra na Câmara dos Deputados, onde o governo busca consolidar apoio para aprovar a reforma sem alterações substanciais. A depender do placar e da capacidade de mobilização nas ruas, o desfecho pode redesenhar não apenas as regras trabalhistas, mas também o equilíbrio político do início do mandato de Milei, marcando um capítulo crucial na história recente da Argentina.