Indefinição nos palanques de Minas Gerais pode impactar sucessão presidencial em 2026
A oito meses das eleições, Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, com 10,5% dos votos, enfrenta um cenário de profunda incerteza política que pode definir a corrida presidencial. Desde a redemocratização, nenhum candidato chegou ao Planalto sem vencer no estado, tornando as articulações locais cruciais para a sucessão nacional.
Direita fragmentada e desafios de alianças
Na direita, o cenário que parecia favorável com o vice-governador Mateus Simões, apoiado pelo governador Romeu Zema, se complicou. Simões trocou o Novo pelo PSD, buscando uma grande frente conservadora, mas o partido anunciou três presidenciáveis: Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. Simões já declarou que apoiará Zema na corrida ao Planalto, o que dificulta atrair o PL, que precisa de um candidato mineiro para apoiar Flávio Bolsonaro.
O deputado federal Nikolas Ferreira, principal cabo eleitoral do PL em Minas, busca um nome que abra palanque presidencial, enquanto o senador Cleitinho Azevedo, líder nas pesquisas, não se define sobre candidatura. Sem uma aliança ampla, Simões, pouco conhecido e com baixa intenção de voto, enfrenta riscos eleitorais, como apontado pelo cientista político Carlos Ranulfo da UFMG.
Esquerda em busca de opções viáveis
Do lado da esquerda, a situação é ainda mais complexa devido à falta de candidatos fortes. O PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apostam no senador Rodrigo Pacheco, mas ele precisa resolver sua filiação partidária, com convites de MDB, PSB e União Brasil. Pacheco evita declarações públicas, mergulhando o campo lulista em incertezas.
Se o plano com Pacheco falhar, alternativas incluem o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, do PDT, que demonstra resistência a alianças, ou o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite, do MDB, sendo costurado pelo PSB. Outra opção é Gabriel Azevedo, do MDB, já em campanha, mas o PT enfrenta dilemas de escolha, conforme análise de Ranulfo.
Cenário nacional e movimentos futuros
A indefinição em Minas reflete desafios em outros estados, como São Paulo, onde Lula busca fechar palanque com Fernando Haddad ou Márcio França, e Rio de Janeiro, com alianças lentas em torno de Eduardo Paes. Flávio Bolsonaro deve iniciar ofensiva por apoios após o Carnaval, enquanto aproximações entre Zema e Bolsonaro são especuladas nos bastidores.
Minas é considerado um estado-pêndulo, com eleitorado atípico capaz de votar em candidatos diferentes para presidente e governo, como no voto Lula-Zema de 2022. A capacidade dos presidenciáveis de consolidar projetos no estado será crucial para desanuviar o cenário e influenciar a corrida ao Planalto.