Ex-príncipe Andrew é preso na Inglaterra em operação histórica da polícia britânica
Ex-príncipe Andrew preso em operação histórica na Inglaterra

Ex-príncipe Andrew é preso na Inglaterra em operação histórica

Pela primeira vez em quase 400 anos, um integrante do alto escalão da família real britânica foi preso nesta quinta-feira (19). O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, foi detido pela polícia em uma operação que marca um momento histórico para a monarquia britânica.

Investigação por má conduta em cargo público

A prisão ocorre no contexto de uma investigação sobre má conduta em cargo público, especificamente relacionada ao período em que Andrew atuou como enviado comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011. A polícia apura denúncias de que o ex-príncipe teria compartilhado informações sigilosas do governo britânico com o bilionário americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e que morreu na prisão em 2019.

"É a primeira vez na história moderna que um membro sênior da família real é detido pela polícia", destacam fontes próximas ao caso. A operação incluiu buscas em endereços ligados à realeza, incluindo Sandringham - residência privativa do rei Charles onde Andrew mora atualmente - e no Royal Lodge, mansão da coroa britânica da qual ele foi despejado após novos escândalos.

Ligações com o caso Epstein

As investigações sobre Andrew vão além das acusações de má conduta oficial. O ex-príncipe é investigado por suas ligações com Jeffrey Epstein, que comandava uma rede de tráfico sexual de mulheres. Arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Andrew teria repassado relatórios sensíveis de viagens oficiais e oportunidades de investimento para Epstein.

Os mesmos arquivos trouxeram fotografias comprometedoras, incluindo uma que mostra Andrew no chão sobre o corpo de uma mulher. Além disso, o ex-príncipe é acusado de ter tido relações sexuais com a americana Virginia Giuffre quando ela era menor de idade - fotos dos dois juntos aparecem nos arquivos de Epstein. Virginia Giuffre se suicidou em 2025.

Reação da família real e autoridades

O rei Charles III demonstrou apoio total às investigações, afirmando em nota oficial: "O que se segue agora é o devido processo legal, justo e adequado, pelo qual esta questão será investigada, da maneira apropriada e pelas autoridades competentes. Permitam-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso". O monarca manteve sua agenda de trabalho, participando do London Fashion Week no mesmo dia da prisão do irmão.

O primeiro-ministro Keir Starmer, questionado sobre o caso, declarou que ninguém está acima da lei, posição reforçada pela família de Virginia Giuffre, que afirmou estar com "os corações aliviados por ver que ninguém está acima da lei, nem a realeza".

Queda em desgraça e novas acusações

Andrew, que já foi considerado o filho favorito da rainha Elizabeth II, tornou-se a figura mais impopular da realeza britânica. Em 2025, diante do aumento da pressão sobre o caso Epstein, o Palácio de Buckingham retirou todos os títulos reais que ele possuía - incluindo o de príncipe - e ele perdeu todas as patentes militares, apesar de ter pilotado helicópteros na Guerra das Malvinas em 1982.

A polícia britânica também analisa alegações de tráfico sexual envolvendo o ex-príncipe. Uma mulher afirma ter sido enviada para o Reino Unido a mando de Epstein para ter relações com Andrew em 2010, dentro do Royal Lodge. As autoridades prometeram trazer mais detalhes da operação "na hora certa".

Liberação após interrogatório

Ironia do destino: a prisão ocorreu no aniversário de 66 anos de Andrew. No início da noite de quinta-feira, após mais de 11 horas de interrogatório, o ex-príncipe foi liberado, mas continua sob investigação. A polícia não revelou o gatilho exato que desencadeou a operação histórica, mas as pesquisas de opinião mostram que o primeiro escalão da coroa britânica quer distância do irmão do rei.

Este caso representa um momento sem precedentes para a monarquia britânica, testando os limites entre privilégio real e responsabilidade legal em um século onde transparência e accountability são demandas crescentes da sociedade.