Filho de Maduro emociona Parlamento após captura do pai: 'Vamos nos abraçar'
Filho de Maduro discursa após captura do ditador pela EUA

A abertura do ano legislativo na Assembleia Nacional da Venezuela, nesta segunda-feira (5), foi marcada por forte comoção e um discurso de resistência. O evento, que normalmente seria protocolar, ocorreu sob a sombra de um evento dramático: a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, pelos Estados Unidos, no último sábado (3).

Discurso emocionado do filho de Maduro

Coube ao deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do líder capturado, transformar a cerimônia de posse em um manifesto de apoio ao pai. Visivelmente emocionado, ele dirigiu parte de sua fala diretamente a Maduro. "A você, pai, digo que criou uma família de pessoas fortes. A pátria está em boas mãos, pai, e logo vamos nos abraçar aqui na Venezuela", declarou, com a voz embargada, acrescentando: "E também nos veremos, Cilia."

O economista, que também é acusado nos EUA pelos mesmos crimes imputados aos pais, reforçou o compromisso do bloco governista, que controla o Legislativo, com a vice-presidente Delcy Rodríguez. Ele afirmou que o regime não pretende se render. "Estamos comprometidos em defender a dignidade da Venezuela", disse, descrevendo a captura como um sequestro que atingiu não só um líder, mas um pai, avô e uma competente advogada.

Críticas aos EUA e reafirmação do poder chavista

Em seu pronunciamento, Maduro Guerra fez duras críticas à ação norte-americana. Ele utilizou referências históricas para contrapor as nações: "se eles [os Estados Unidos] são Monroe, em referência à Doutrina Monroe, de 'América para os americanos', os venezuelanos são Simón Bolívar". O parlamentar argumentou que o direito internacional deve conter os mais poderosos para evitar que a lei do mais forte prevaleça, classificando a situação como uma "regressão perigosa para toda a comunidade internacional".

O discurso foi finalizado com um apelo: "Pedimos que nos deixem em paz para que as nossas instituições se desenvolvam de forma livre e independente, para que a nossa economia cresça e para que o nosso povo tenha paz". E prometeu: "Vamos lutar com inteligência e audácia pela libertação de Maduro e de sua mulher. Talvez tenham sequestrado Maduro e Cilia, mas não sequestraram a consciência de um povo."

Reeleição e continuidade no Legislativo

Após o discurso, Maduro Guerra indicou Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidente Delcy Rodríguez, para um novo mandato na Presidência da Assembleia Nacional. Rodríguez foi reeleito para o cargo e, ao falar ao Parlamento, pediu que "as lágrimas se transformem em força". Ele se comprometeu a usar todos os mecanismos possíveis para trazer Maduro de volta e lembrou a ausência de Cilia Flores, sugerindo que uma flor vermelha em seu lugar simbolizasse a dívida para com ela.

O cenário político atual na Venezuela é dominado pelo PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela). Em um pleito realizado em maio do ano passado, caracterizado pela baixa participação popular e boicote da oposição, os apoiadores de Maduro conquistaram resultados expressivos. De acordo com o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), controlado pelo chavismo, a coalizão governista venceu em 23 dos 24 governos estaduais e obteve 82,68% dos votos nas listas nacionais do Parlamento.

Isso se traduziu na conquista de 256 das 285 cadeiras da Assembleia Nacional, assegurando uma maioria esmagadora ao partido de governo, que só não venceu no estado de Cojedes. A sessão desta segunda-feira reforçou, portanto, a união do establishment chavista em torno da figura de Maduro, mesmo com ele ausente e sob custódia norte-americana.