Filho de Maduro expressa confiança na Justiça americana em meio a julgamento por narcoterrorismo
Nicolás Maduro Guerra, deputado venezuelano e filho do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro, declarou nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, que mantém confiança no sistema judicial dos Estados Unidos, mesmo criticando veementemente a forma como seu pai foi capturado e preso. A declaração ocorre durante a segunda audiência do julgamento de Maduro e sua esposa Cilia Flores em Nova York, quase três meses após sua captura em Caracas através de uma intervenção militar ordenada por Washington.
Críticas à captura e defesa da imunidade presidencial
Em entrevista exclusiva à agência de notícias AFP, Maduro Guerra descreveu a prisão de seu pai como um verdadeiro "sequestro" resultante da operação militar americana. O deputado venezuelano, conhecido carinhosamente como "Nicolasito" em seu país, ressaltou que o processo judicial apresenta "vestígios de ilegitimidade" por ignorar completamente as convenções internacionais que garantem imunidade a presidentes eleitos.
"Esperamos que o julgamento prossiga dentro do marco da legalidade dos Estados Unidos", afirmou Maduro Guerra, que acompanhou as audiências diretamente de Caracas, onde se reuniu com centenas de apoiadores na Praça Bolívar. A multidão presente clamava incessantemente por "liberdade para Cilia e Nicolás" enquanto assistia aos procedimentos através de telões instalados no local.
Acusações graves e condições de prisão
O casal Maduro enfrenta acusações extremamente graves que incluem:
- Narcoterrorismo
- Importação de cocaína em larga escala
- Associação com cartéis de drogas internacionais
- Posse ilegal de metralhadoras e dispositivos explosivos
- Alianças com movimentos guerrilheiros colombianos designados como organizações terroristas
Presos no Metropolitan Detention Center (MDC) no Brooklyn, uma penitenciária federal conhecida por suas condições extremamente rigorosas, Maduro e Flores permanecem isolados em celas individuais. Segundo fontes próximas ao governo venezuelano, o ex-presidente passa seus dias lendo a Bíblia e tem acesso limitado a comunicação externa, podendo falar apenas com familiares e advogados por períodos máximos de quinze minutos por chamada telefônica.
Trump promete "novas acusações" contra Maduro
Enquanto isso, o presidente americano Donald Trump reforçou durante reunião de gabinete na Casa Branca que Maduro terá um julgamento justo, mas deixou claro que "outras acusações legais" serão apresentadas no futuro próximo. "Imagino que novos julgamentos virão, porque até agora ele foi acusado apenas de uma fração do que realmente fez", declarou Trump, referindo-se especificamente ao ex-líder venezuelano.
O presidente americano ainda aproveitou para elogiar a operação que resultou na captura de Maduro, classificando-a como "uma grande operação militar", e acusou o ex-ditador de ter "matado muitas pessoas" e "esvaziado suas prisões enviando detentos para nosso país".
Contexto político venezuelano e mudanças recentes
Desde a captura de Nicolás Maduro em janeiro, a presidência interina da Venezuela foi assumida por Delcy Rodríguez, que implementou mudanças drásticas na política externa do país. A nova liderança promoveu uma significativa reaproximação com os Estados Unidos, marcada por concessões relacionadas às vastas reservas de petróleo venezuelanas sob pressão direta da administração Trump.
Rodríguez realizou recentemente uma série de alterações importantes no governo, incluindo:
- Destituição do embaixador venezuelano nas Nações Unidas, Samuel Moncada, após quase uma década no cargo
- Substituição completa da cúpula militar do país
- Demissão do poderoso ministro da Defesa, Vladimir Padrino López
Estas mudanças ocorrem em um momento delicado para a Venezuela, que enfrenta simultaneamente um julgamento internacional de alto perfil e transformações políticas internas significativas, enquanto tenta redefinir seu relacionamento com a principal potência mundial.



