Cães treinados conseguem realizar, em poucos minutos, um trabalho que demandaria dezenas de bombeiros em uma área de busca. Para garantir que essa eficiência seja aplicada na prática, existe uma certificação nacional que simula situações reais de resgate. Essa avaliação define quais duplas estão aptas a atuar em missões de busca, resgate e salvamento. Recentemente, as duplas foram submetidas a testes na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Como funciona a certificação?
A certificação nacional de cães de busca, resgate e salvamento é um processo que avalia o desempenho das chamadas duplas, ou binômios, formadas por um cão e um bombeiro militar. O objetivo é verificar se ambos estão preparados para atuar em ocorrências reais. A validação é realizada pelo Comitê Nacional de Busca, Resgate e Salvamento com Cães. Os aprovados podem participar de operações em todo o Brasil. No Rio Grande do Sul, essa avaliação ocorre duas vezes por ano. Desta vez, o local escolhido foi o Parcão de Novo Hamburgo.
Etapas da avaliação
O processo é dividido em diferentes fases, que começam antes mesmo das provas práticas. A primeira etapa é a inspeção sanitária, quando um veterinário avalia a saúde e o bem-estar do animal. Depois, os cães passam por testes de habilidades fundamentais. Nessa fase, são observados pontos como:
- nível de obediência ao condutor;
- capacidade de superar obstáculos;
- comportamento em ambientes considerados desafiadores.
Só após essa análise inicial é que os animais seguem para a fase principal: a busca.
Como são as provas de busca
As provas simulam situações enfrentadas no dia a dia dos bombeiros. Os cenários incluem, por exemplo, ambientes rurais onde os cães precisam localizar:
- pessoas vivas;
- restos mortais;
- odores específicos.
Esses testes reproduzem ocorrências reais, permitindo avaliar a eficiência das duplas em condições próximas das operações de resgate. Durante as provas, também são analisados critérios como controle do cão, agressividade, destreza e obediência. As duplas aprovadas ficam habilitadas para atuar em operações reais de busca e salvamento, inclusive em apoio a outros estados. Mais do que um reconhecimento formal, a certificação indica que aquele binômio está pronto para agir em situações críticas.
“O cão se torna uma ferramenta essencial para dar mais rapidez às buscas, tanto em áreas rurais quanto urbanas. Tudo que acontece aqui simula uma situação real, justamente para testar a eficiência deles”, explica a major Karyn Savegnago de Oliveira, do 2º Batalhão de Bombeiros Militares de São Leopoldo.
Treinamento
A preparação de um cão de busca começa ainda filhote e pode levar de um ano e meio a dois anos. Todo esse processo é feito em conjunto com o bombeiro responsável, que também é avaliado durante a certificação. “É um processo longo, feito com o condutor. A certificação avalia se essa dupla tem os critérios mínimos para atuar em operações reais, inclusive em apoio a outros estados”, afirma o capitão William Pellerano, do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro.
Os cães participantes têm entre 18 meses e oito anos, faixa considerada ideal para esse tipo de atividade. Algumas duplas já chegam à certificação com experiência. Outras participam pela primeira vez. Em comum, todas passam pelo mesmo rigor de avaliação. O treinamento inclui exposição a diferentes estímulos, cenários variados e socialização constante. Os cães recebem acompanhamento veterinário e são tratados como atletas, com rotina de preparo contínuo.
Em uma das simulações no RS, a dupla precisou localizar uma vítima com base em informações como idade, estado de saúde e último local onde foi vista. “A gente delimita a área de busca a partir desses dados. Nesse caso, era uma pessoa idosa, com problema de saúde, então concentramos os esforços em um raio de cerca de 300 metros. O Max encontrou em 7 minutos e 40 segundos”, relata Alexandre Araújo, soldado do Batalhão de Busca e Salvamento.
Um dos principais diferenciais dos cães é a agilidade. Um único animal pode vasculhar uma área que exigiria o trabalho de cerca de 20 bombeiros. Além disso, eles são treinados para atuar com segurança. Ao localizar uma vítima, o cão não faz contato físico, ele sinaliza a descoberta por meio do latido. “A partir disso, o bombeiro consegue chegar até a vítima”, explica o primeiro-sargento Alexandro Brum.



