O governo dos Estados Unidos assumiu publicamente, nesta quarta-feira (7 de janeiro de 2026), que exerce influência direta sobre as decisões políticas do governo interino da Venezuela. A declaração, que esfria qualquer debate imediato sobre eleições no país, ocorre no contexto da profunda crise desencadeada pela captura do presidente Nicolás Maduro.
Controle direto de Washington sobre Caracas
Em coletiva de imprensa na Casa Branca, a porta-voz Karoline Leavitt foi enfática ao afirmar que Washington mantém uma "correspondência direta" com as autoridades venezuelanas. Segundo ela, as decisões tomadas em Caracas "continuarão a ser ditadas" pelos Estados Unidos até que uma transição segura e estável seja consolidada no país.
Leavitt descartou qualquer previsão de eleições no curto prazo, classificando a discussão sobre um calendário eleitoral como "muito prematura". A prioridade da administração do presidente Donald Trump, conforme explicado, é estabilizar a nação e reorganizar sua economia devastada antes de considerar qualquer solução institucional negociada.
Plano estratégico em três fases
As declarações da porta-voz seguiram-se ao anúncio de um plano estratégico detalhado pelo secretário de Estado, Marco Rubio. A proposta, estruturada em três etapas, visa primeiro conter o caos e estabilizar o país, para depois iniciar um processo de recuperação econômica e, finalmente, uma transição política.
"O primeiro passo é evitar que a Venezuela desemboque em caos", afirmou Rubio. As ações iniciais incluem medidas de contenção e controle sobre ativos estratégicos, com foco especial no setor petrolífero, historicamente a principal fonte de receitas venezuelanas.
Parte desse esforço envolve negociações com o governo interino e com executivos da indústria do petróleo. O objetivo é uma suspensão seletiva de sanções e um possível retorno de empresas americanas ao setor energético local. Uma reunião com representantes do setor já está agendada para sexta-feira, 9 de janeiro.
Panorama de poder pós-Maduro
O cenário atual foi deflagrado pela operação militar dos Estados Unidos na madrugada de sábado, 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro. O ex-presidente foi levado sob custódia para solo americano, onde enfrenta acusações de narcotráfico e delitos relacionados.
Com a saída forçada de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina, com o aval da Suprema Corte e o apoio das Forças Armadas venezuelanas. Ela assumiu o núcleo do poder em Caracas, mas enfrenta resistências tanto internas quanto externas.
Do outro lado do espectro político, a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora das prévias de sua coalizão em 2024 e reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz no ano passado, mantém pressão. Ela defende que seu aliado, Edmundo González, que supostamente teria vencido o último pleito em condições consideradas fraudulentas pela oposição, lidere uma transição democrática. Machado traça planos para retornar ao país e articular o bloco oposicionista diante da nova configuração de poder imposta por Washington.
O tom das declarações americanas deixa claro que, pelo menos no horizonte imediato, a estabilização sob supervisão dos EUA precede qualquer abertura democrática, colocando um ponto final provisório nas expectativas de uma rápida normalização eleitoral na Venezuela.