O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, apresentou nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, uma estratégia detalhada em três etapas para o futuro da Venezuela. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio, um dia após a divulgação de um acordo petrolífero com o governo interino de Delcy Rodríguez.
As três fases do plano americano
A primeira fase do plano, conforme explicado por Rubio, tem como objetivo a estabilização imediata do país. O secretário de Estado deixou claro que a intenção é evitar que a nação mergulhe no caos após a captura do ex-líder Nicolás Maduro. Os Estados Unidos assumirão a administração do território venezuelano por um período indeterminado para garantir essa estabilidade inicial.
A segunda etapa, denominada "recuperação", focará na reativação econômica. Rubio afirmou que esta fase consistirá em garantir que empresas americanas, ocidentais e de outras nações tenham acesso justo ao mercado venezuelano. Paralelamente, será iniciado um processo de reconciliação nacional, que inclui a anistia e libertação de opositores políticos presos ou exilados, visando a reconstrução da sociedade civil.
A terceira e última fase será a de transição de poder. No entanto, Rubio não forneceu detalhes sobre como essa transição ocorrerá nem mencionou a realização de novas eleições. A líder oposicionista María Corina Machado tem pressionado para que Edmundo González, considerado vencedor das eleições de 2024, assuma a presidência legítima, proposta que até o momento foi descartada pela Casa Branca.
Controle do petróleo e acusações contra Maduro
O processo de estabilização inclui uma medida drástica: uma "quarentena" de Caracas no mercado internacional de petróleo, com a apreensão de navios-tanque. Forças americanas já interceptaram dois petroleiros ligados à Venezuela. Rubio justificou a ação afirmando que há petróleo "preso" no país que não pode ser comercializado devido às sanções.
Os EUA planejam tomar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo e vendê-los às taxas de mercado. A receita, segundo Rubio, será controlada e distribuída de forma a beneficiar diretamente o povo venezuelano, evitando a corrupção do antigo regime.
Prisão e acusações formais de narcoterrorismo
Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por militares americanos em seu quarto no complexo militar Forte Tiuana na madrugada de sábado. O presidente Donald Trump afirmou ter assistido à operação ao vivo. Ambos estão presos no Brooklyn e alegam inocência.
Em um novo indiciamento divulgado no sábado, promotores de Manhattan acusam Maduro de supervisionar pessoalmente uma vasta rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado. A rede teria parcerias com grupos criminosos violentos, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, as FARC colombianas e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
O documento judicial alega que Maduro usou sua autoridade para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos, movimentando carregamentos sob proteção policial quando era membro da Assembleia Nacional e fornecendo passaportes diplomáticos a traficantes. Além de Maduro e sua esposa, também são réus seu filho, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o líder do Tren de Aragua, Hector Guerrero Flores.
O procurador Jay Clayton afirmou que "Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício". As acusações de narcoterrorismo enquadram Maduro como uma ameaça à segurança nacional dos EUA, com base em leis pós-11 de setembro, o que permite um julgamento sob uma mescla de direito penal, internacional e de segurança nacional.
O plano de três fases marca um momento decisivo na intervenção americana na Venezuela, combinando uma estratégia política e econômica de longo prazo com uma ação judicial agressiva contra a antiga liderança, em um esforço para reestruturar radicalmente o país.