Espanha reage à crise energética com pacote bilionário após conflito no Oriente Médio
Em resposta à crescente crise energética desencadeada pela guerra no Oriente Médio, o Congresso espanhol aprovou nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, um ambicioso pacote de medidas no valor de 5 bilhões de euros, equivalente a aproximadamente 30 bilhões de reais. A decisão ocorre apenas um dia após a França ter confirmado oficialmente uma grave crise petrolífera, destacando a pressão que a Europa enfrenta com a interrupção do fornecimento de energia.
Detalhes do pacote emergencial espanhol
O pacote, composto por 80 medidas distintas, foi aprovado com 175 votos a favor, 33 contra e 141 abstenções. O primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, que anunciou a proposta na última sexta-feira, explicou que as ajudas buscam "proteger o tecido produtivo e as pessoas mais vulneráveis" dos impactos econômicos do conflito.
Entre as principais medidas aprovadas destacam-se:
- Redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) sobre gás e combustíveis de 21% para 10%, o que deve permitir uma diminuição de até 30 centavos de euro por litro nos postos de combustível
- Redução de 60% dos impostos sobre eletricidade, mediante suspensão do imposto sobre produção de energia elétrica
- Ajuda direta de 20 centavos de euro por litro de combustível para transportadores, agricultores, pecuaristas e pescadores
- Apoio equivalente para compra de fertilizantes
Contexto de preços e impacto econômico
Os preços da energia na Espanha já haviam apresentado aumento significativo desde o início dos bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. O preço da gasolina 95 subiu de 1,48 euro por litro para 1,80 euro por litro no último fim de semana, embora tenha caído para 1,57 euro por litro na quarta-feira, conforme dados do Ministério para a Transição Ecológica.
Sánchez manifestou reiteradamente sua oposição à guerra contra o Irã, classificando-a como "ilegal" e fora do marco internacional. "Cada bomba que cai no Oriente Médio acaba atingindo, como já estamos vendo, o bolso das nossas famílias", afirmou o premiê em discurso perante o Congresso na quarta-feira.
Crise petrolífera confirmada pela França
Na quarta-feira, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, revelou dados alarmantes sobre a capacidade de refino no Golfo Pérsico. Segundo ele, entre 30% e 40% da capacidade de refino da região foi danificada ou destruída pelos ataques retaliatórios do Irã, causando um déficit de 11 milhões de barris por dia nos mercados globais de petróleo.
Lescure alertou que a restauração das instalações danificadas pode levar até três anos, enquanto a retomada das operações das refinarias que foram fechadas com urgência pode demandar vários meses.
Reações em outros países europeus
Enquanto a Espanha implementa seu pacote emergencial, outros países europeus também buscam soluções para a crise energética:
- A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, viajou à Argélia para negociações emergenciais sobre energia, buscando garantir fornecimento de gás natural liquefeito para substituir o produto perdido do Catar
- Reino Unido e Alemanha sinalizaram que a crise deve acelerar suas transições para energias mais limpas
- A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, assegurou que a instituição possui diversas opções para lidar com o choque inflacionário desencadeado pela guerra
Segundo informações da agência Reuters, os ataques iranianos ao Catar já reduziram em 17% sua capacidade de produção por três a cinco anos, agravando ainda mais a situação do fornecimento global de combustíveis fósseis.
O governo espanhol teme uma desaceleração da economia do país, que atualmente é uma das mais dinâmicas da Europa e a quarta maior da zona do euro. O pacote aprovado representa uma resposta imediata aos desafios impostos pelo conflito internacional, buscando estabilizar os mercados internos enquanto a crise geopolítica continua a se desenrolar.



