Microsoft e McKinsey pagam US$ 1 milhão para espaço de Trump em Davos
Empresas pagam US$ 1 mi por espaço de Trump em Davos

Gigantes corporativas dos Estados Unidos, incluindo a Microsoft e a consultoria McKinsey, realizaram investimentos que podem chegar a US$ 1 milhão cada para financiar um espaço privado que servirá de base para a delegação do governo de Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, neste mês de janeiro de 2026.

A Reaproximação entre o Capital e a Casa Branca

Batizado de USA House, o local, instalado em uma pequena igreja anglicana do século XIX fora do perímetro oficial de segurança do fórum, simboliza uma reaproximação explícita entre setores do grande capital americano e a atual administração da Casa Branca. O momento coincide com um forte reposicionamento dos EUA na política global.

O objetivo declarado do espaço é apoiar a delegação americana e oferecer visibilidade às marcas patrocinadoras diante de líderes políticos, investidores e executivos que circulam pelo evento. Além da Microsoft e da McKinsey, a empresa de criptomoedas Ripple também confirmou apoio financeiro. O banco JPMorgan Chase foi abordado, mas ainda não formalizou sua participação.

O Modelo e a Conotação Política

O modelo segue uma prática comum em Davos, onde governos e empresas alugam espaços paralelos para encontros fechados. A diferença crucial no caso do USA House é seu caráter assumidamente alinhado ao discurso político de Trump. A coordenação está a cargo do investidor Richard Stromback, conhecido por organizar eventos exclusivos no fórum.

O espaço será decorado com símbolos patrióticos e material dos 250 anos da Declaração de Independência dos EUA, celebrados em 2026. A programação, ainda não detalhada, inclui temas caros ao trumpismo, como "paz por meio da força" e "ativos digitais e resiliência econômica".

Contexto Internacional e Cálculo Empresarial

A volta de Trump a Davos ocorre em um cenário internacional sensível, com a recente intervenção militar na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro dominando os debates. Em sua última participação, o presidente atacou o Acordo de Paris e prometeu incentivar os combustíveis fósseis.

Para analistas, o patrocínio de peso ao USA House reflete um cálculo pragmático das grandes corporações. Enquanto mantêm um discurso público de neutralidade, elas buscam preservar canais diretos com um governo que adota posições agressivas em comércio e geopolítica, mas que também promete desregulamentação e incentivos ao setor privado.

Procuradas, a Casa Branca e as empresas envolvidas (Microsoft, McKinsey, Ripple e JPMorgan) preferiram não comentar a iniciativa. Nos bastidores de Davos, no entanto, diplomatas europeus e representantes de ONGs enxergam o espaço como um sinal claro de que Trump pretende usar o fórum não apenas para diálogo, mas como um instrumento de projeção ideológica e econômica dos Estados Unidos.