Dólar fecha estável a R$ 5,389 com tensões geopolíticas e olho no payroll
Dólar estável a R$ 5,389; Ibovespa sobe 0,59%

O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quinta-feira (8) em um misto de estabilidade cambial e otimismo na bolsa de valores, enquanto os investidores digeriam uma série de notícias de impacto global e local. O dólar comercial fechou praticamente estável, com uma leve alta de 0,07%, sendo negociado a R$ 5,389. Já o principal índice da B3, o Ibovespa, registrou um desempenho mais positivo, avançando 0,59% e fechando aos 162.936 pontos.

Tensões Geopolíticas Pesam no Humor dos Investidores

A atenção dos operadores esteve voltada para a escalada de tensões envolvendo os Estados Unidos. O presidente Donald Trump reafirmou os planos de intervenção prolongada na Venezuela, afirmando que a administração republicana controlará os lucros da venda de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano destinados aos EUA. Segundo Trump, a receita será usada exclusivamente para comprar produtos norte-americanos.

Os anúncios, no entanto, não se limitaram à Venezuela. A Casa Branca confirmou que Trump discute ativamente a compra da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, e não descartou o uso de força militar para concretizar o plano – uma ação que configuraria uma agressão a um membro da Otan. O interesse americano na ilha está ligado às suas vastas reservas minerais, incluindo terras raras, atualmente dominadas pela China.

Completando o cenário de instabilidade, o governo Trump ainda ameaçou atacar a Colômbia, acusando o presidente Gustavo Petro de não combater suficientemente o narcotráfico. Para Marcio Riauba, da StoneX, esse ambiente de aversão ao risco nos mercados é alimentado tanto por essas tensões internacionais quanto por fatores locais.

Alívio com Banco Master e Força do Setor Bancário Impulsionam Bolsa

No front doméstico, o clima de tensão em torno do Banco Master arrefeceu. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, que havia criticado publicamente a atuação do Banco Central (BC) na fiscalização e liquidação do banco, recuou e suspendeu a inspeção nesta quinta-feira. O alívio com a notícia permitiu uma recuperação das ações do setor financeiro, que haviam sofrido um dia antes.

Na bolsa, o Ibovespa foi impulsionado pela Petrobras e pelo setor bancário. Destaques positivos foram o BTG Pactual, com alta de 2,15%, Santander (1,74%), Itaú Unibanco (1,55%) e Banco do Brasil (0,78%). O Bradesco foi exceção, recuando 1,69%. A queda de 1% nas ações da Vale, por sua vez, limitou ganhos mais expressivos do índice.

Mercado Aguarda Dados Decisivos de Inflação e Emprego

Os operadores também mantiveram um olho atento aos indicadores econômicos que podem direcionar a política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Nos EUA, relatórios de emprego divulgados na quarta-feira ficaram abaixo do esperado, aumentando a expectativa para a divulgação oficial do payroll nesta sexta-feira. Este dado será crucial para tentar antever a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre os juros no fim do mês.

Atualmente, a grande maioria dos investidores (88%) aposta na manutenção da taxa atual, entre 3,5% e 3,75%. Bruno Shahini, da Nomad, ressalta que os dados fracos não foram suficientes para movimentar os ativos de forma direcional, pois os agentes aguardam o payroll para maior clareza.

No Brasil, a produção industrial surpreendeu negativamente em novembro, ficando estável frente a outubro e recuando 1,2% na comparação anual. A expectativa dos economistas era de um leve crescimento. Agora, o foco se volta para a divulgação do IPCA de janeiro, também prevista para esta sexta-feira, que dará novos sinais sobre a trajetória da inflação e dos juros no país.